Hospitais na UTI
Manchete da edição de ontem, o tema saúde deve merecer atenção especial do poder público das três diferentes esferas, principalmente dos governos estaduais e federal, a partir das mudanças que ocorreram em janeiro com a troca de comando nesses poderes.
O enfoque no momento são os estabelecimentos hospitalares, atingidos há anos por uma crise de proporção quase incontrolável, cujo gargalo leva ao ponto de explosão. Então, busca-se uma solução urgente ou, na demora, deixa-se acontecer, o que significa a falência do sistema.
Alguns números preocupantes estão sendo expostos pela Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná (Fehospar): na última década, o Estado perdeu cerca de 100 hospitais credenciados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Isso resultou na redução de cerca de 10 mil leitos hospitalares no Paraná.
Outros exemplos: eram 548 hospitais credenciados pelo SUS em 1997, oferecendo 30.456 leitos, o que dava média de 3,33 para cada grupo de mil habitantes. Média, aliás, pouco superior ao preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de três estabelecimentos hospitalares para cada mil habitantes. Agora em 2003 restam 498 hospitais credenciados e menos de 29 mil leitos. Isso no curto espaço de tempo entre 1997 e 2003, é recomendável que se reforce.
A causa desse problema seria, de acordo com os estabelecimentos hospitalares, o atraso do SUS no repasse de recursos referentes aos procedimentos feitos pelos hospitais. Ou seja, pare receber o que gastou numa cirurgia pelo Sistema Único de Saúde, o estabelecimento entra numa fila de espera de meses. Este é apenas um exemplo.
Outros fatores também levaram a esta situação, entre eles o baixo valor dos procedimentos pagos pelo SUS. Os estabelecimentos hospitalares, através da entidade que os representa, argumentam que a crise se agravou com a disparada do dólar a partir do segundo semestre do ano passado, uma vez que medicamentos e equipamentos são cotados na moeda americana.
Mas o funil se estreita mais com a crise que atinge as administradoras de planos de saúde, cujo negócio, durante anos, enriqueceu alguns poucos em troca da garantia de atendimento razoável de outros poucos. Eis um dos erros do passado. Não se curou a saúde dando-lhe prioridade, já que a Constituição brasileira assegura atendimento à toda população, e não apenas a quem está em condições de arcar com os custos mensais de um plano privado.
Falharam os políticos de outrora, alguns por omissão, outros por interesses próprios. E independente de CPIs para investigar equívocos cometidos, resta como medida emergencial, de paciente na UTI, aos políticos de agora priorizarem a vida de seus eleitores.

mockup