Precisamos de muita paz
Claro, objetivo e com a simplicidade que o caracteriza, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu o seu recado e, por representação que lhe é devida, o da Nação e principalmente da maioria dos brasileiros sobre a guerra que os Estados Unidos ensaiam contra o Iraque. Não precisamos de guerra, precisamos de muita paz. Em resumo, foi o que disse Lula.
Muito diferente de épocas passadas, quando a submissão oficial brasileira diante do governo norte-americano engasgava a garganta das nossas autoridades. Quando muito, a posição nacional frente às necessidades do Tio Sam eram desaforadamente equilibradas, até mais pendendo para o suposto ''dono do mundo'', para não ferir interesses desconhecidos da maioria da população.
A guerra contra o Iraque e isso já dissemos neste espaço em edições recentes é uma briga para medir forças. A potência, armada e tecnificada, contra um dos detentores mundiais da riqueza líquida e inflável que gira os motores do mundo e move economias, o petróleo. Inflável, porque acende principalmente desejos que levam à luta armada, possível de ser deflagrada num toque do dedo no painel digital após uma ordem por telefone. E mata inocentes, soldados e civis não participantes dessa disputa inconsequente.
O desenrolar dessa trama ocorre no momento em que os Estados Unidos enfrentam uma de suas piores crises econômicas. E se alguns estudiosos defenderam no passado que o futebol e o carnaval serviram como ''pão e circo'' para os brasileiros, agora se vê que para os norte-americanos a guerra é o tapa-olho para uma situação interna preocupante. Foi assim em outras guerras. Agora, o presidente dos Estados Unidos precisa impositivamente mostrar ao seu povo que comanda um país forte, ao mesmo tempo que que dispara contra grandes estadistas de outros países que são contra mais uma novela de bangue-bangue.
Percebe-se, no entanto, que se depender inclusive de sua própria população, Bush traria de volta ao país de origem os milhares de soldados já posicionados, bem como suspenderia as convocações de reservistas que são feitas constantemente. Outras grandes potências também ousam desta vez contrariar quem pensa ainda mandar no mundo. A posição do presidente brasileiro, apesar do conteúdo simples, foi feita com o sentimento de quem enxerga os riscos da guerra. Não foi um teórico dizendo sim ou não. É motivo de orgulho nacional, porque aqui não precisamos deflagrar guerra para ser um país do futuro. O bom senso é a nossa receita.

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