OPINIÃO DA FOLHA
Quando se imaginava o dólar em trajetória de queda frente ao real, o que se vê nos últimos dias é o repique da cotação da moeda norte-americana, que ontem voltou a fechar em alta. Negociado a R$ 3,53 para venda, o dólar já rompeu o que os analistas chamam de ''barreira psicológica'' dos R$ 3,50 e pode estar dando sinais de que não vai recuar tão cedo.
O câmbio avança mesmo passado o que os especialistas consideravam o período crítico da economia, quando a especulação dominou o mercado financeiro aproveitando os últimos lances da campanha eleitoral que apontavam para a vitória petista. Logo depois, os especuladores abusaram da fragilidade do período de transição, quando o novo governo não havia assumido e a equipe no Poder afivelava as malas.
O movimento de queda do dólar, experimentado nas primeiras semanas do ano com euforia, aconteceu graças ao otimismo geral em relação ao futuro do País a partir da posse de Lula, em 1º de janeiro. Alguns pronunciamentos firmes e medidas preliminares de efeito adotadas pelo novo presidente acalmaram o mercado, devolvendo aos brasileiros a confiança de iniciar ano novo com projetos possíveis de se concretizar.
Antes, como nos velhos tempos da corrida inflacionária, planejar o futuro era tarefa difícil. Em alguns momentos a cadeia especulativa obteve vitórias. Superou o bom senso e espetou com faca de cozinha famílias que passaram a conviver novamente com a necessidade de 'tour' pelos supermercados em busca de preços mais em conta.
Embora esta situação ainda perdure, castigando o consumidor sobretudo na compra de gêneros de primeira necessidade, resta a possibilidade de endurecimento por parte da Secretaria de Defesa do Consumidor, conforme já anunciou seu titular. A idéia, segundo ele, é dispensar tratamento como o dirigido ao crime organizado aos setores que praticam abusos contra o consumidor.
Na mira, estão os que transformam a economia nacional em campo produtivo para os cartéis. De acordo com o anunciado pelo órgão, Polícia Federal e Ministério Público serão convocados para missões como a de promover escutas telefônicas quando houver suspeita de abusos e cartel. A fórmula pode ser dura, mas para uma situação que exige rigor, não há o que se condenar.
Quanto ao movimento de subida do dólar, sobretudo nestes últimos dias, a princípio pode ser dito que a justificativa usada pelo mercado é a mais insana possível: a iminência de uma guerra.
A economia norte-americana não vai bem e isso afeta o mercado internacional. A guerra só agrava a situação. Ou seria o conflito armado uma forma de mascarar a crise americana? O mundo não pode viver aos balanços de decisões mais caprichosas do que sensatas.





