OPINIÃO DA FOLHA
A mesma gasolina que abastece os carros que circulam e têm seus tanques enchidos em Londrina é fornecida aos varejistas do setor instalados em outros municípios paranaenses. Nada foi anunciado até agora sobre o privilégio da cidade dispor de um novo tipo do combustível, mais puro e por isso capaz de proporcionar ao motor rendimento diferenciado. Tampouco existe em Londrina algum distribuidor que fornece somente para os veículos desta localidade. As bandeiras que despejam seus produtos nos tanques dos postos londrinenses são as mesmas que provavelmente chegam à distante Flor da Serra do Sul, no Sudoeste do Estado. Aliás, pequena, provavelmente Flor da Serra teria mais restrições quanto aos distribuidores, o que poderia resultar em menor concorrência e preço mais elevado.
Mas é Londrina que tem uma das gasolinas mais caras do Paraná. Completa-se o tanque pagando até R$ 2,29 pelo litro do combustível. Raro lance de sorte pode levar à uma promoção, como ocorreu no sábado, em um dos estabelecimentos da cidade, que arrancou sorriso dos proprietários que tiveram a chance de abastecer no local pagando R$ 2,14 pelo litro. De acordo com levantamento feito por uma equipe de reportagem da Folha, no mesmo período em que foi pesquisado o preço em Londrina, o litro da gasolina podia ser comprada por até R$ 2,09 em Curitiba. Em Cascavel, pagava-se R$ 2,14 e em Foz do Iguaçu R$ 2,21. Só Maringá seguia os preços de Londrina, mas ainda assim alguns pontos mais abaixo: o proprietário de veículos dispendia na localidade R$ 2,25 pelo litro.
A explicação do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis) para os preços praticados em Londrina pede reflexão. O presidente da entidade, Roberto Fregonesi, disse à reportagem da Folha que uma das causas é a grande quantidade de postos instalados na cidade, o que provoca venda média abaixo do padrão. Por culpa dessa situação o empresário não pode diminuir a margem de lucro. Fora dos preços promocionais, o londrinense encontra estabelecimentos que comercializam o combustível a R$ 2,26 o litro, parecendo ser este um valor médio que permite lucro ao negócio. O outro culpado, segundo o presidente da entidade que representa o comércio varejista de combustíveis, é o poder público, que tira do empresário varejista do setor R$ 0,54 pelo litro, além dos R$ 0,75 do ICMS.
São argumentos pertinentes. Mas de difícil leitura para o consumidor, para quem sempre a concorrência teria que resultar em vantagens, tanto no aspecto da qualidade quanto no do preço. Eis uma tese a ser trabalhada, por mais antiga e simplista que ela possa parecer.





