OPINIÃO DA FOLHA
O início do ano letivo de 2003 na rede pública de ensino, anunciado para 12 de fevereiro, é motivo de expectativa dos pais de alunos num momento em que a economia trafega entre o desce e o sobe do dólar. É provável que a compra de material escolar transforme-se num ato estressante, exigindo do consumidor o esgotamento da pesquisa para adquirir produtos de boa qualidade e preço adequado ao orçamento familiar.
O Procon de Londrina está divulgando neste início de semana uma lista com preços praticados por livrarias da cidade, incluindo os materiais escolares mais utilizados pelos estabelecimentos de ensino. Cópia desta lista está à disposição do consumidor, na sede do Procon, localizado na Rua Professor João Cândido, esquina com a Rua Pio XII, segundo andar (Edifício Tuparandi). Mas já no último sábado o órgão publicou, através de reportagem da Folha na página do Consumidor (caderno Folha Economia), alguns números que mostram a armadilha em que os pais de estudantes podem cair se a compra for feita sem um mínimo de pesquisa.
Numa lista básica de produtos, as diferenças de valores foram de 110,1%. A reportagem mostra que em um estabelecimento fechou-se a lista em R$ 23,95 e em outro em R$ 50,34. A maior distorção foi constada na tesoura sem ponta, disponível por R$ 0,41 em uma loja e por R$ 1,70 em outra. Infelizmente, segundo recomendações do órgão de proteção e defesa do consumidor, a compra de materiais escolares, de acordo com a listagem elaborada, terá que ser feita em vários estabelecimentos, prática que já vem sendo adotada por algumas famílias para as despesas mensais de supermercado.
Antigo dito popular garante que o freguês sempre tem razão. Embora não pareça que isso ocorra, o consumidor deve fazer prevalecer não só o seu direito, mas a sua força. O comércio investe em atrativos que muitas vezes interessam a poucos. Estabelecimentos requintados podem ter boa clientela desde que atuem com uma política de preços justa. Uma apertada loja de esquina, com o ar rarefeito por ventilador de parede, a princípio teria condições de cativar fregueses pelo preço, pois nem disporia de requinte. O que não deve ocorrer é a lei da vantagem: cobrar mais porque a época é de vender cadernos.
Serviços adicionais também devem ser usados pelo consumidor, desde que não representem custos. Tais como compras por telefone e entregas em casa. A única preocupação de quem compra, e a Folha trabalha esta questão na reportagem da página do Consumidor, é com a qualidade dos produtos adquiridos. Só assim o consumidor poderá ser visto por alguns comerciantes como a peça mais importante dessa relação.





