OPINIÃO DA FOLHA
Prioridade para a educação
Uma situação preocupante ronda as salas de aula do ensino médio brasileiro. Faltam pelo menos 200 mil professores em todo o País, principalmente nas disciplinas de física, química, matemática e biologia, conforme levantamento preliminar divulgado pela Secretaria do Ensino Médio do Ministério da Educação (MEC).
A constatação leva a uma previsão inadmissível, pois o problema, conforme admite o órgão federal em reportagem que este jornal publica hoje na página 12 do Primeiro Caderno, ''pode ter proporções cada vez mais catastróficas com o passar do tempo''. Ainda mais porque o próprio ministro da Educação, Cristovan Buarque, revela que a explosão de alunos no antigo colegial tornou-se inevitável. São, atualmente, cerca de 9 milhões de adolescentes nesta fase educacional, com o País dispondo de apenas 468 mil mestres, divididos pelos três anos do ensino médio.
Desmotivados por salários baixos, estes professores enfrentam diariamente várias turmas de cerca de 40 adolescentes. O preparo das aulas e a correção de provas e trabalhos rouba deles as poucas oportunidades de reciclagem, quando esta forma de aperfeiçoamento é oferecida sem custo, pelo poder público.
Estes são alguns dos motivos que levam estudantes universitários de cursos como biologia, química, física e matemática, que apresentam quadro mais grave de falta de professores, a optarem pelo bacharelado. Ao contrário da licenciatura, cujo destino profissional fica limitado à sala de aula, o bacharelado permite nestas áreas empregos em empresas, principalmente em centros onde esta categoria de trabalhadores é indispensável
A proposta para estimular os atuais professores e os estudantes universitários a optarem pelo magistério, entretanto, ainda é tímida, embora representa um passo a frente, por mais vagaroso que seja o caminhar. A Secretaria do Ensino Médio quer seguir o modelo dos colégios de ponta de algumas grandes capitais brasileiras, que já investem na pesquisa entre os professores do ensino médio. Seria o mesmo que já ocorre nas universidades, onde a pesquisa, a publicação de seus resultados e a divulgação em eventos como congressos e seminários cria estímulos.
E o mais importante, de acordo com o que acena o atual governo, é também a questão salarial. Sem seu plano de governo, Luiz Inácio Lula da Silva que elevar de 5% para 7% do Produto Interno Bruto os recursos para a educação. É uma proposta, sem dúvida, viável e plenamente necessária.





