Saúde igual para todos
Uma importante pesquisa foi iniciada recentemente no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Financiada pela Organização Mundial de Saúde e anunciada como o maior estudo sobre a saúde do brasileiro, a pesquisa deve ouvir cinco mil pessoas de todos os estados. O mais importante: o objetivo é investigar a qualidade dos serviços públicos e particulares de saúde e as condições médicas da população, o que inclui os hábitos considerados fatores de riscos para doenças, entre eles o tipo de nutrição.
Importante porque o levantamento trará, com certeza, aos governantes, a real situação da saúde pública. E, num comparativo com o serviço privado, ficará escancarada uma realidade já conhecida de todos, principalmente daqueles que enfrentam as filas do pronto-socorro, das clínicas e dos ambulatórios públicos.
Evidente que num país de dimensão geográfica gigante como este, em que diferenças culturais, sociais e econômicas são registradas de um quilômetro a outro, há de se encontrar num determinado município um modelo de saúde pública exemplar, graças à iniciativa do prefeito local e de seus assessores. Da mesma forma se levantará exemplos deprimentes de atendimento da população neste setor fundamentalmente básico. E neste aspecto a pesquisa que ora se inicia apresenta possibilidades positivas. Os cinco mil entrevistados estão distribuídos em 191 municípios, de forma que estas diferenças fiquem nitidamente registradas.
Se conhecerá também, através de um instrumento científico, que o Brasil do terceiro milênio, de Norte a Sul, Leste a Oeste, é de distorções no aspecto da saúde. No geral, três diferentes categorias de atendimento asseguram, bem ou mal, algum serviço médico e hospitalar à população. O particular, para as faixas mais abastadas, com condições de atender plenamente às necessidades do público que a esta categoria recorre. O dos planos de saúde, que mistura a faixa da população trabalhadora beneficiária de algum convênio empresarial e das famílias que, mesmo com dificuldades, paga mensalmente um plano privado. E o do Sistema Único de Saúde (SUS), que apresenta bom atendimento em algumas localidades mas peca por total desprezo à população atendida em outras.
O que se espera, após concluído o estudo, é que os subsídios colhidos sirvam de base para um novo sistema, justo para todos.

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