OPINIÃO DA FOLHA
Sim, não temos laranja
A laranja é o vilão da vez. No curto espaço de seis meses o produto de mesa, aquele que é consumido in natura ou em suco feito na hora, subiu cerca de 200% em Londrina, conforme mostra reportagem que este jornal publica hoje no caderno Folha Economia. O mercado interno, segundo depoimento de comerciantes do setor, está pagando pela laranja o mesmo preço que é cobrado do exportador, este que recebe em dólar pela venda do suco da fruta. Quanto ao aumento, basta lembrar, como faz a reportagem da Folha, que no primeiro semestre do ano passado a caixa da laranja era vendida a R$ 5,00. Hoje, o preço chega a até R$ 18,00.
Em outras oportunidades, defendemos neste espaço a necessidade de políticas para a agricultura e a pecuária que contemplem o abastecimento interno. Surgiram nos últimos anos inúmeros programas mantidos por cooperativas para estimular o plantio de laranja, inclusive em épocas de baixa para o produto. O objetivo sempre foi o da industrialização, transformando a fruta em suco, visando o mercado externo, já que a venda in natura no mercado interno era pouco atraente ao produtor. O próprio Paraná, através de algumas cooperativas, implantou programas de citricultura.
Algumas mudanças ocorreram, porém, neste segmento. Nos últimos anos, a abundante laranja, que podia ser comprada com opções de preço e qualidade nas feiras livres, quitandas, mercearias e supermercados, começou a se tornar escassa. E o preço da fruta de boa qualidade praticamente fez da laranja boa, com suco e sabor, uma mercadoria possível apenas para consumidores de maior posse. Os demais passaram a se contentar com frutas miúdas e secas por dentro, pagando pouco por um produto que, pela má qualidade, custava caro. A alta do dólar, sobretudo a partir do segundo semestre do ano passado, agravou a situação. Hoje, nas gôndolas dos supermercados, o quilo da laranja custa de R$ 1,00 a R$ 1,09 conforme cotação do último final de semana em Londrina. O preço não garante qualidade, embora as frutas sejam graúdas.
É por esta situação que se defende políticas que contemplem quem produz para os mercados externo e interno. O abastecimento nacional deve estar na lista de prioridades dividindo classificação com a produção a ser exportada. Abre-se mais espaços os produtores, que com certeza terão como colocar os seus produtos na mesma região onde eles são produzidos, economizando inclusive no frete.





