OPINIÃO DA FOLHA
Prioridade para o esporte amador
Quantos atletas amadores londrinenses poderiam ser apoiados em Londrina com R$ 200 mil por ano? Muitos corredores, ciclistas, nadadores, lutadores e praticantes das mais variadas modalidades esportivas realmente caracterizadas como amadoras seriam, com certeza, beneficiados com uma pequena fatia deste valor, mesmo que o dinheiro fosse suficiente apenas para bancar uma única viagem para participar de uma competição. Da mesma forma, quantos pequenos projetos de estímulo ao esporte amador poderiam ser desenvolvidos em Londrina com estes mesmos R$ 200 mil? Com certeza, um expressivo número de competições esportivas promovidas por entidades de bairros poderiam ser contemplados, assim como eventos escolares diversos, planejados para estimular nos pequenos a prática de esportes.
É elogiável, portanto, a posição do prefeito de Londrina, Nedson Micheleti, e do presidente da Sercomtel, Francisco Roberto, de analisar com rigor o patrocínio à equipe de basquete do LBC (Londrina Basquete Clube). Não se tira o mérito desta equipe, que leva o nome da cidade ao cenário nacional através de um esporte que desperta o interesse de torcedores de vários cantos do País. E também não se condena a administração municipal por ter, até o ano passado, destinado expressiva verba anual para o basquete londrinense. No entanto, esta modalidade e este perfil de equipe fogem das características de iniciativa amadora. E sendo profissional, haveria certo contra-senso por parte do poder público em patrocinar o profissionalismo esportivo. São os dois lados da moeda: por um lado, o basquete profissional deve funcionar como uma empresa, assim como as grandes equipes de futebol; por outro, o poder público tem como meta o investimento na formação de atletas amadores que, da mesma forma como fazem os profissionais, podem render medalhas e troféus em eventos estaduais, nacionais e até internacionais. E esta parece ser a prioridade da atual administração municipal de Londrina.
Assim, é madura e coerente a posição do Município em relação ao basquete profissional. Em nenhum momento o poder público declarou que deixará de apoiar a equipe. Pelo contrário, como disse o prefeito Nedson Micheleti à Folha, ''a questão do patrocínio do basquete vai ser decidida com tranquilidade, seriedade e muita educação. Como já foi informado, a decisão será tomada no final de janeiro ou início de fevereiro''. E fala, o prefeito, em nome de toda uma população, que inclui torcedores do basquete profissional e torcedores de outras modalidade esportivas, inclusive amadoras.





