OPINIÃO DA FOLHA
O salto do agronegócio
O agronegócio brasileiro mais uma vez é destaque. Fechamento referente ao ano de 2002, divulgado ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Agricultura e publicado na edição de hoje, no caderno Folha Economia, aponta que o setor apresentou superávit da balança comercial de US$ 20,347 bilhões no ano, o que representa crescimento de 7% em relação a 2001, quando contabilizou US$ 19 bilhões. Ou seja, em 2002 o agronegócio foi responsável por US$ 24,839 bilhões das exportações brasileiras, que cresceu 4,1% em relação ao ano anterior, enquanto o País importou US$ 4,492 bilhões no ano, 7,3% menos do que em 2001.
Evidente que a participação do complexo soja nesse resultado positivo foi fundamental. O Brasil exportou US$ 6,008 bilhões, valor 13,4% maior que os US$ 5,296 bilhões do ano anterior. Outro destaque foi o setor de carnes, cuja exportação em 2002 cresceu 7,8% em relação ao ano anterior, saltando de US$ 2,552 bilhões para US$ 2,751 bilhões, enquanto a balança comercial do setor cresceu de US$ 2,482 bilhões em 2001 para US$ 2,67 bilhões em 2002, resultando em crescimento de 7,6%. Esse resultado só não foi melhor devido a queda dos preços da carne exportada, de 16% em relação a 2001. Sucos de frutas, fumo e tabaco também pesaram no crescimento das exportações, enquanto açúcar, café e madeira, mesmo com o aumento das exportações, tiveram queda na receita cambial por culpa do recuo dos preços médios.
Os números reforçam defesas anteriores, inclusive feitas neste mesmo espaço, da necessidade de atenção especial para a agropecuária brasileira. Cabe mais uma vez lembrar que ao apagar das luzes, o governo anterior por pouco não desferiu um golpe de efeito extremamente nocivo ao produtor rural e aos demais componentes da cadeia produtiva. Embutida na proposta da minirreforma tributária, o governo tentou mudar a forma de cobrança do imposto de renda do homem do campo. Em síntese, se tal proposta vigorasse, este responsável pelo superávit da balança comercial estaria pagando imposto no ato da venda do produto, como já o faz o trabalhador urbano assalariado, com o IR na fonte.
O que se espera, a partir de agora, é que não somente a produção destinada ao exterior seja contemplada pela atenção do novo governo, mas também aquela de larga escala que contempla o abastecimento interno. Somada aos produtos extraídos das pequenas áreas, normalmente tocadas pela faixa caracterizada como de agricultura familiar, a resposta imediata deste conjunto de medidas será a disponibilização de itens com preços melhores para a população brasileira.





