OPINIÃO DA FOLHA
Economia em compasso de mudança
Pesquisa divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) reforça posição tratada neste mesmo espaço na edição desta segunda-feira. Em 2002, os preços da cesta básica sofreram reajustes em todas as 16 capitais pesquisadas mensalmente, registrando-se a menor alta no Rio de Janeiro, de 16,16%, e a maior em Salvador, de 31,50%.
O mais grave, de acordo com estudo feito pelo Dieese, é que em todas as capitais a alta superou o aumento de 11,11% concedido em abril ao salário mínimo. Ou seja, somente nos itens da cesta básica já pode ser verificada a defasagem entre a renda e o gasto mensal do trabalhador brasileiro. Considerando que além de comer, tomar banho e fazer a higiene de casa uma família precisa vestir e calçar seus membros, chega-se à preocupante conclusão que o custo de vida no País, nestes últimos anos, provoca apertos insustentáveis na economia doméstica.
O próprio Dieese projeta, para uma família de quatro pessoas sendo dois adultos e duas crianças a necessidade de uma renda mensal de R$ 1.378,19. Este valor equivale a 6,9 vezes o salário mínimo em vigor, de R$ 200,00.
Em relação ao mês de dezembro, quando a disparada dos preços adquiriu características de tempos passados, da inflação galopante, a pesquisa levantou que só o Rio registrou queda no custo da cesta básica, de 0,99%. Porto Alegre, pelo contrário, apresentou a maior alta, com o preço da cesta chegando a R$ 164,05. Curitiba, infelizmente, não ficou muito distante disso: R$ 152,18, ficando abaixo de São Paulo (R$ 158,73) e da campeã Porto Alegre.
A escalada do dólar foi a principal vilã, embora fatores climáticos tenham pesado no preço de alguns alimentos. É o caso do feijão, que registrou os aumentos mais expressivos nos últimos meses. Como também do óleo de soja, da manteiga, do arroz, do café, entre outros.
A boa notícia de hoje é do otimismo com o novo governo refletindo diretamente na economia do País. Falta agora aproveitar o momento para arrumar, de fato, a casa, tornando a cesta básica possível e digerível nos lares das famílias brasileiras.





