Estatística preocupante
Balanço divulgado ontem pela Companhia de Trânsito do 5º Batalhão da Polícia Militar, em Londrina, apresenta mais uma estatística preocupante: 69 pessoas perderam suas vidas durante o ano passado em consequência de acidentes de trânsito na zona urbana da cidade. São 13 vítimas fatais a mais do que no ano de 2001.
O Código de Trânsito Brasileiro, em vigor já há alguns anos, surgiu como a primeira possibilidade depois de décadas sem avanços de mudanças sobretudo na cultura dos que conduzem veículos neste País. Previa-se o fim da impunidade para crimes de trânsito, principalmente pelo fato da nova legislação ser rigorosa.
A propaganda oficial, antes e em seguida à entrada em vigor do Código, chegou a causar preocupações nos motoristas mais conscientes, prevendo-se que a maioria das contravenções cometidas nas ruas das cidades pelos condutores de veículos fosse eliminada com a lei. E se antes nem o cinto de segurança tão trivial nos dias de hoje era respeitado, agora até a embalagem de bala atirada pela janela causa constrangimento nos ocupantes do carro e indignação em quem testemunha tal ato.
O Código Brasileiro de Trânsito mudou a cultura do motorista e de seus passageiros. Esse foi o avanço mais importante da nova legislação. O que faltou, então, para que seus efeitos chegava também aos números de acidentes de trânsito, com os seus feridos e as suas vítimas fatais?
Alguns fundamentais artigos da legislação, infelizmente, deixam de ser cumpridos e a fiscalização é a principal delas. A inovação tecnológica, cujo custo, em alguns casos, ainda não se sabe se é menor ou maior que o da utilização do ser humano, infelizmente trocou os agentes de trânsito pelos chamados ''pardais'' ou videovigias, que são os radares eletrônicos.
Estes equipamentos, porém, não estão em todos os locais. Também evidente que o motorista torna-se mais prudente ao volante por saber que os ''pardais'' estão sempre nos mesmo lugares, ao contrário do fiscal humano, que um dia está em uma esquina e no outro em localidade diferente.
Assim, pequenas e grandes contravenções costumam sem cometidas à luz do dia. Um carro estacionado na calçada de pedestre, como é comum em Londrina, pode resultar no atropelamento de alguém que para caminhar precisa fazer desvio pelo asfalto da rua. O avanço de uma faixa de pedestre, outra contravenção comum em Londrina, pode ferir alguém. Estes são exemplos corriqueiros e que normalmente não resultam em vítimas fatais. Mas quantas outras contravenções cometidas longe dos radares provocam mortes?

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