Valorizar a ''banda boa''
Nunca quanto agora o fim da corrupção no meio policial, promessa de campanha do governador Roberto Requião, esteve tão próximo de acontecer. E o principal fator a levar a esta possibilidade positiva é um componente necessário contudo muito pouco praticado nos últimos anos a qualquer governante: determinação política para acabar, como dizia o governador durante a campanha eleitoral, com a chamada ''banda podre'' da polícia.
No presente momento, esse componente político passa a ocorrer poucos dias depois da transmissão de cargo, com aquele que foi designado pelo equipe de governo a conduzir o tão delicado trabalho, o delegado-geral da Polícia Civil Adauto Abreu de Oliveira, assumindo ao pé da letra a tarefa. Já na sexta-feira, durante sua posse, o delegado-geral anunciou a necessidade de promover mudanças no Estatuto da Polícia Civil, de forma a permitir o afastamento de maus policiais. Ele, que nos últimos meses do governo anterior esteve à frente da Corregedoria da Polícia Civil, conhece bem os problemas pelos quais passam as corporações responsáveis pela segurança pública no Estado, por culpa de atos duvidáveis se alguns policiais. O delegado-geral Adauto Abreu de Oliveira também é dono de um currículo que não deixa pontas para questionamentos.
São atualmente 340 processos em andamento na Corregedoria da Polícia Civil. Presume-se que os policiais envolvidos em qualquer denúncia sejam afastados de suas funções e recolhidos para trabalhos administrativos durante o período de tramitação das investigações. É o que deveria ocorrer, independente da legislação, mas até por cautela e principalmente bom senso. Mas a história do Paraná, inclusive em capítulos recentes, mostra que nem sempre esta regra é adotada. Algumas promoções no passado, de delegados envolvidos em processos, criaram indignação. Há funcionários também envolvidos em denúncias que apenas foram transferidos de uma localidade para outra, onde cumprem a mesma função.
Com ajustes no estatuto, o delegado-geral que ter a possibilidade de demitir maus policiais com mais facilidade. E ele espera que a ''banda podre'' perca espaço desta forma. É um começo. Mas é urgente a necessidade de triar os bons policiais, valorizando-os profissionalmente e dando-lhes condições de treinamento, reciclagem e de vida o que inclui uma remuneração justa que permita um bom desempenho profissional.

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