OPINIÃO DA FOLHA
Problemas para os sucessores
Não só de novos governos começa o ano de 2003. Os preços também prometem arrancadas violentas, com efeitos em praticamente todos os itens básicos da alimentação, higiene, limpeza, vestuário e calçados. O princípio de tudo é a nova alta prevista para os combustíveis, fato não admitido publicamente e cujo porcentual, consequentemente, era até ontem mantido em segredo pela Petrobras. O último aumento do ano deve ser divulgado hoje pela estatal. Um péssimo presente de final de ano para o consumidor e para os novos governos que entram, uma vez que qualquer elevação nos preços dos combustíveis desencadeia reajustamento imediato nas lojas e supermercados.
Por conta da desconfiança em relação à alta, o setor enfrentou ontem dia de muita expectativa. O próprio Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Minerais do Estado do Paraná, conforme pôde ser conferido em reportagem publicada na edição de hoje do caderno Folha Economia, através de sua presidência admitiu ontem ser forte o indício do reajuste. É que uma das distribuidoras, a BR, teria segundo o presidente da entidade alertado os donos de postos com sua bandeira sobre o provável aumento nos preços.
Mais grave ainda é saber que o índice estimado pelos empresários deste segmento oscila entre 9% e 14% para a gasolina e o óleo diesel, com base inclusive no mercado internacional. O porcentual é bastante elevado para uma economia que pede medidas urgentes de saneamento e cujos preços praticados em quase todos os itens de compras efetuadas neste mês de dezembro, de simples lembranças para presentear aos produtos indispensáveis nas mesas das famílias e nas despensas das casas sobretudo os de higiene e de limpeza terão efeitos desastrosos nos índices que medem a inflação.
Não é, infelizmente, só o combustível a destemperar a economia, embora o item funcione como o começo da bola de neve que se agiganta e cria garras, desmontando as contas domésticas e os orçamentos das empresas. A administração da economia, feitas nestes últimos anos de acordo com um modelo estagnante, cujo enfoque central foi a contenção da taxa inflacionária a custa de uma paradeira generalizada, é a principal responsável. A Petrobras quer encerrar o atual governo em dia com suas contas e com as suas defasagens zeradas. Deve ter ciência os atuais dirigentes da estatal que a companhia permanece com o novo governo federal, a partir de 1º de janeiro. Empurrar problemas para os que chegam é uma péssima fórmula administrativa.





