OPINIÃO DA FOLHA
Histórias natalinas
Pequenos gestos podem significar grandes ações, quando o que se faz é tão puro e desprovido de interesses próprios a ponto de adquirir força de algo nobre. A edição de terça-feira da Folha trouxe alguns exemplos disso no seu caderno Folha Cidade, que por ser o último antes do Natal foi especialmente editado com reportagens sobre histórias de pessoas que se dedicam mais aos outros do que a si próprios.
Como a do catador de papel Valcruci Jorge dos Santos, 40 anos, morador do Jardim Marabá, bairro pobre da Zona Leste de Londrina. Valcruci recolhe, além do papel que sustenta ele e a família, alimentos não perecíveis, roupas e calçados velhos e brinquedos recicláveis. O material recolhido é distribuído entre as famílias mais carentes do bairro onde o catador de papel mora. Recentemente, Valcruci doou 150 sacolas de roupas para a maternidade local. Até ontem, Natal, sua labuta era para conseguir alimentos, que pretendia distribuir na comunidade. Valcruci tem renda mensal que não ultrapassa os R$ 50 por semana.
A Folha também testemunhou ações de solidariedade praticadas por alguns de seus leitores. Um reportagem publicada na edição do último domingo expôs a situação de penúria do pedreiro José Lopes da Silva, que sustenta família formada pela esposa e oito filhos. Desempregado, Silva contou à equipe da Folha que esperava poder presentear a família, no Natal, pelo menos com um prato de arroz e feijão, servido contadinho.
A reação de alguns leitores foi de solidariedade e fraternidade. Desde as primeiras horas de segunda-feira os telefones da Redação da Folha passaram a atender pessoas interessadas em ajudar o pedreiro e a família. Na tarde de segunda-feira, a equipe de reportagem retornou à casa do pedreiro, que já havia recebido seis cestas básicas, além de frangos, refrigerantes e linguiça.
Na mesma edição, o caderno Folha Cidade lembrou que em outubro deste ano as auxiliares de enfermagem Nilvana Teixeira da Silva e Daniela Francisco Ramalho foram personagens de reportagem. Na ocasião, elas se vestiram de palhacinhas para alegrar crianças internadas no Hospital Infantil de Londrina. Daniela virou capa da edição do dia 12 da Folha. A capa daquela edição foi reaproveitada para a agenda do jornal.
Pequenos gestos viram grandes ações, que ilustram capas, preenchem páginas de jornal ou, simplesmente, emocionam e causam felicidades. Milhares de pessoas no mundo devem ter praticado ações semelhantes, especialmente no Natal. Dessas milhares, poucas conseguirão manchetes nas páginas dos jornais. Mas encherão, com certeza, os olhos de outras pessoas sensíveis de lágrimas de emoção. A solidariedade ainda é mais forte que as armas preparadas para a guerra.





