Fidelidade ao eleitor
O ideal seria poder contar com Elza Correia na Secretaria de Cultura e também na Assembléia Legislativa, mas o princípio de fidelidade ao eleitor recomenda que ela cumpra o mandato para o qual foi eleita - a de deputada estadual. Vereadora reeleita com a maior votação já dada a um titular da Câmara Municipal, em Londrina, Elza já quebrou aquele fundamento eleitoral ao candidatar-se a deputada, porque lhe faltavam ainda dois anos do mandato outorgado pelos que a queriam vereadora e para isso confiaram-lhe o voto. Um vereador, numa cidade do porte de Londrina, pode ser mais importante para os munícipes que um deputado estadual.
Mas é da legislação eleitoral essa liberdade de o candidato eleito ou já exercendo mandato aceitar convite para uma Secretaria de Estado ou outra função de relevância, ou optar por um cargo eletivo superior. Porque, no último caso, é também o eleitor que aprova ou não essa decisão, com seu voto, embora isso nem sempre represente consenso da maioria, porque ficam os descontentes e há sempre uma quebra de compromisso com o eleitor e uma anulação do processo das urnas. Tal se afigura como uma anomalia do sistema eleitoral, que seria corrigida com a coincidência de mandatos, de forma a que um vereador ou deputado pudessem concorrer a cargo mais alto mesmo no exercício daquele em que se encontra.
Se o governador eleito Roberto Requião deseja contemplar Londrina com o comando da Secretaria de Cultura, pode optar pela escolha de outro nome da cidade, sem o prejuízo de tirar da Assembléia a deputada eleita. Se agrada ao universo artístico do interior o domínio daquela Secretaria, resta avaliar qual função seria melhor para os interesses do Estado. Competente e séria como tem sido, na qualidade de vereadora, Elza Correia será com certeza competente e séria como deputada estadual. Se o interior ganha com um representante na Secretaria, perde um parlamentar, que poderá ser mais útil na apresentação de importantes projetos ou em momentos de votações decisivas.
Ser eleita, na crista de expectativas populares, e nem sequer tomar assento no cargo, é uma quebra de promessa eleitoral, e ademais um desperdício de voto, porque a comunidade a elegeu e, em sua eventual vacância, quem irá assumir será o suplente, não eleito. Se o governador Requião desejar ficar com a primeira opção, deverá insistir em outro nome londrinense e há outros cogitados, de comprovada competência para a função. Essa estratégia somaria, ao invés de causar constrangimentos e frustrações no seio do eleitorado mais ortodoxo.

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