O candidato e agora Presidente eleito e diplomado Luiz Inácio Lula da Silva acenou, em sua campanha, com um governo de harmonia mas também de mudanças, e foi sobretudo em função delas que a maioria do eleitorado o sufragou. O povo, ao manifestar-se nas urnas, fez a opção por um experimento novo de governo e com a esperança de transformações. Ao negar o candidato governista, manifestou o seu descontentamento com o regime econômico dominante, que se preocupou em excesso com a moeda e com os investidores da especulação e ignorou as políticas de desenvolvimento. O não, manifestado pelo voto, foi um protesto contra isso e um apoio ao aceno de uma nova diretriz governamental, estribada na reativação da economia e por extensão contemplando o emprego e a melhoria de vida dos cidadãos.
O presidente Lula não pode desviar-se desse foco, e por isso precisará tomar pulso firme, agora que já exerce governo pois visita chefes de Estado de países do continente e opera na formação de sua equipe e não deixar-se envolver pela voracidade de muitos que o cercam e o aplaudem mas que agem por interesse próprio ou de grupos e não por patriotismo. Escolhas para funções relevantes devem ser decisões pessoais suas, afinadas com sua ideologia e com a meta de formar um governo coeso, alicerçado no mesmo ideal, sob pena de ver-se envolvido pelo domínio de homens de diferentes cores partidárias e ideológicas e que dificultem os seus programas de governo.
Lula não foi eleito para ser um igual e um acomodador. É certo que precisará governar com as oposições partidárias ou não e bem negociar com o Congresso, ou não verá seus projetos aprovados, mas também não poderá exceder-se em generosidades e trazer para seu redil homens comprometidos com a linha monetarista vigorante, ou as mudanças esperadas não acontecerão. Governar é também a arte de saber ceder, mas Lula terá de ser ele o árbitro e impor o seu sistema, porque é isto que a nação espera do seu Presidente. Se Lula fizer de seu ministério uma colcha de retalhos, poderá perder os controles e encontrar oposição cerrada dentro de seu próprio partido e assim perder bases de sustentação, sem as quais a governabilidade correrá perigo.
Políticas dispersas de governo poderão resultar em quebra de unidade e no enfraquecimento do comando, e este deve ser forte e exercido tão somente por um homem o presidente da República. O que de melhor ou de pior ocorra, será creditado ou debitado em sua conta, e Lula tem declarado, quase como obsessão, que não pode errar e agora optando por falar no plural, mas o pluralismo não pode ser levado a extremos. É sobre um homem exclusivamente e este homem é Luiz Inácio Lula da Silva que a nação depositou seu aval. O que farão seus homens será sempre atribuído à figura do mandatário supremo, e de ninguém mais.

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