BC: baixa expectativa
Se a solução para acalmar o mercado era a definição de quem seria o presidente do Banco Central, o nome já está escolhido, mas a indicação não provocou impacto no universo financeiro. Não conseguiu sequer conter o ímpeto comprador das empresas e bancos, que têm, neste mês, US$ 3,1 bilhões em dívida externa para saldar. A cotação do dólar abriu em queda mas depois passou a subir. A escolha de Henrique de Campos Meirelles para o cargo divide opiniões e esbarra em ressalvas. Fora do Brasil, a reação não foi das melhores. Embora sua vasta ficha bancária, com desempenho também na política, o futuro titular do BC é qualificado, por alguns experts da área, como inexperiente para a função.
Goiano de Anápolis, é engenheiro, com mestrado em administração de empresas e estudos em universidades estrangeiras. Bancário de carreira, acabou presidente mundial do Banco de Boston, tendo deixado o cargo seis anos depois para entrar na política. Elegeu-se deputado federal pelo PMDB de Goiás, com expressiva votação. Embora tucano, perfilando na ala mais liberal do partido, tem ligações estreitas com nomes de expressão do PT, especialmente José Dirceu, que será chefe da Casa Civil do governo de Lula, e com o senador eleito Aloisio Mercadante. Ontem mesmo já se especulava que sua permanência na função poderá não ser duradoura, caso sua presença não provoque efeitos positivos e consistentes sobre o mercado.
Analistas opinam que nada de relevante mudará na política do Banco Central, se isso depender do presidente indicado, significando que a situação de incerteza hoje vigorante poderá persistir. Aparentemente, frustram-se as crenças de que a fórmula mágica para conter a fúria do dólar e recuperar investidores arredios residia simplesmente na escolha do futuro presidente do Banco Central algo em que os mais sensatos nem chegavam a acreditar. O fim da novela que envolvia a tão aguardada indicação parece haver se revelado tão volátil e inconsistente quanto a própria especulação financeira.
Óbvio que o Brasil não será guiado apenas pelas políticas emanadas do Banco Central e nem o será pelas decisões do Ministério da Fazenda, porque é na figura do presidente da República que elas terão de se concentrar. Esta a responsabilidade de Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de janeiro, porque deverá ser ele o grande árbitro e foi ele que a nação brasileira sufragou nas urnas e em quem depositou todas as esperanças. E a indicação de um nome de certa forma relacionado à atual política econômica e afinado com os interesses internacionais, se pode contentar investidores, por outro lado deixa preocupados os eleitores de Lula.

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