OPINIÃO DA FOLHA
O ano-chave de Londrina
São do prefeito Nedson Micheleti estas palavras de que 2003 será o ano-chave de sua administração. Porque, como diz em entrevista a este jornal, o primeiro ano foi de ''colocar a casa em ordem'', o segundo de ''amadurecimento das políticas públicas'', e o terceiro será de consolidação de um projeto que prevê ''bases mais perenes'', capazes de garantir um desenvolvimento ordenado do município. O prefeito petista conta com os bons ares que soprarão de Curitiba, com Roberto Requião no governo, aliado de campanha eleitoral, e sobretudo do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem Nedson priva de relação partidária estreita e no PT, mais que em outros partidos, esse vínculo político é atributo de relevância.
O fato de Lula não haver sido o candidato mais votado em Londrina é interpretado pela opinião pública como um reflexo da administração municipal do PT, que a população considerou fraca, da forma que também qualificou de inexpressivo o resultado da administração petista anterior. A rebeldia de Londrina manifestou-se mais uma vez, o que constitui uma marca forte de cidadania. O prefeito Micheleti, na estrevista de ontem, apresenta as suas justificativas uma delas a de haver encontrado a prefeitura endividada e recém-saída de um vergonhoso escândalo, envolvendo o desvio de grande soma de dinheiro público mas os cidadãos entendem, e com razão, que é possível solucionar tais problemas ao tempo em que se varre a casa e se lhe dá aspecto mais agradável.
Nesses primeiros dois anos, pequenas mas importantes providências nesse sentido deixaram de ser tomadas, e a população, naturalmente, cobra e dá sua resposta. O prefeito anuncia que irá fechar o corrente ano com as contas em dia, e este é um desempenho relevante, ao tempo em que não se ouviu falar de corrupção em seu governo, uma ferida do passado recente que ainda sangra, com processos judiciais ainda não concluídos e nenhum centavo devolvido do tão vultoso roubo.
Londrina chegou ontem aos 68 anos bastante machucada por desmandos da administração anterior e pelo descaso do governo do Estado. A esperança agora é que essa longa agonia tenha chegado ao fim e que, a partir de janeiro, a nova administração estadual olhe para o interior com mais responsabilidade. Naturalmente que administrar Londrina não é tarefa fácil, pois dos 5.600 municípios brasileiros (em números redondos) Londrina figura entre as 20 maiores cidades do País, superando algumas capitais, e ademais porque vigora a Lei de Responsabilidade Fiscal, que disciplina o uso do dinheiro público e impõe severas sanções. Seriedade não falta ao prefeito Nedson Micheleti, e espera-se que 2003 seja o da retomada de obras, porque se a cidade cresce fisicamente e em todos os sentidos, o Poder Público precisa acompanhar esse ritmo.





