Choque de credibilidade
Entre as muitas opiniões sobre a fórmula de conter a corrida dos preços e a elevação dos índices de inflação, uma delas do economista Tomás Málaga destaca-se por não semear pessimismo mas, ao contrário, afirmar que um choque de credibilidade poderá arrefecer a onda inflacionária já no primeiro trimestre de 2003. Declara que o anúncio de uma boa equipe econômica do novo governo, comprometida com o controle monetário e com o superávit primário nas contas públicas, será o suficiente para reduzir as incertezas da economia.
É evidente que a situação atual teve forte peso psicológico, que motivou a deflagração de fatos concretos, como a preferência dos investidores por vantagens de curto prazo, e a corrida para o dólar no período pré-eleitoral, ante a iminência de ser eleito um governo petista e o temor de um calote nas dívidas públicas. Porém, da mesma forma o efeito foi inverso quando Lula tranquilizou a nação e os investidores internacionais ao mostrar a sua real posição diante da conjuntura, o que foi depois reforçado por pronunciamentos de destacados membros de sua equipe de transição e que irão ocupar cargos de relevância no novo governo.
Se não se espera soluções por fórmulas simplistas, a verdade é que deverá ser eliminado o clima de medo, que resultou na elevação dos preços e levou os cidadãos a apertarem o cinto, ao tempo em que inibiu os investidores e empreendedores. O final de ano, sempre atípico no calendário dos negócios, no Brasil, também coopera, e ademais porque coincide com a véspera de mudança de governo. Existe toda uma combinação de fatores entre eles a busca de dólares pelas empresas com dívidas no exterior o que ainda mantém essa moeda em alta.
A economia brasileira é regida pela oscilação do dólar. Um choque de credibilidade nos novos rumos da administração pública brasileira contribuiria, sem dúvida, para o restabelecimento da paz no mercado. A tarefa do governo de Lula, portanto, não será apenas buscar solução para os problemas sociais internos, mas acalmar o mercado e evitar o mais possível o enfurecimento do dólar, que torna caros não apenas os produtos importados mas também os produtos brasileiros que têm cotação internacional estribada nessa moeda, e que, se sobem lá fora, sobem também aqui.

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