OPINIÃO DA FOLHA
A força da terra
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária brasileira, como noticiado ontem por este jornal, e o previsto aumento de 25% do faturamento de uma das maiores cooperativas do País, instalada no Paraná, conforme mostra reportagem publicada hoje no caderno Folha Economia, escancara uma realidade que não tem como ser negada, mas é, no mínimo, desconsiderada por sucessivas autoridades que passam pelo cenário político nacional.
A de que a agricultura e a pecuária brasileiras vão bem, de uma ou de outra das seguintes formas: a autoridade governamental, ciente da importância desses setores para a economia nacional, destina-lhes programas e recursos para permitir ao setor produtivo que cumpra o seu papel de produzir e bem, com qualidade e quantidade que atendam as necessidades dos mercados interno e externo; ou, na pior das hipóteses, a mesma autoridade, sabendo que pouco tem a contribuir, provavelmente por indispor de recursos, não atrapalha com medidas danosas aqueles que movimentam a agropecuária.
Infelizmente, as duas condições acima não se completam neste País. Porque a política agropecuária, apesar dos recursos para financiamentos anualmente anunciados com euforia pelo governo, deixa de contemplar itens que são fundamentais para a cadeia produtiva. E o financiamento, por sí só, não é solução suficiente para as diferentes categorias de agropecuaristas, visto que o acesso aos recursos dos estabelecimentos bancários é restrito. É claro que bons programas destinados aos pequenos produtores existem, como o da agricultura familiar, mas estes, se ainda em vigor, foram concebidos em gestões passadas e só resistem por comprovada eficiência.
E quanto à omissão plena da autoridade, principalmente evitando prejuízos aos produtores, basta lembrar que recentemente o setor produtivo rural foi surpreendido com a medida provisória que estabelecia o recolhimento do imposto de renda do agricultor e do pecuarista no ato da venda, cabendo posterior restituição se devido como ocorre nas demais atividades. Não fosse a mobilização da classe rural, provavelmente a medida não estaria hoje revogada, resultando em grande prejuízo não só para o produtor, mas também para a agroindústria nacional e os próprios consumidores.
Assim, a própria cadeia produtiva rural assimilou nestes últimos anos que deve estimular todos os seus componentes a enfrentar as adversidades político-administrativas para vencer. A solução é esta e os resultados são promissores. De janeiro a agosto deste ano o PIB da agropecuária deu um salto de 6,19% em relação ao mesmo período do ano passado. E a cooperativa paranaense, destaque na edição de hoje do caderno Folha Economia, prevê já agora um faturamento total de R$ 2 bilhões, o que a coloca hoje, justo no dia do 32º aniversário de fundação da organização, entre as grandes empresas nacionais.
É mérito dos segmentos que compõem esta cadeia produtiva, num momento em que toda a economia nacional enfrenta problemas.





