Emprego, para
conter violência
É condenável, por todas as razões, que as pessoas se armem e façam cursos de treinamento visando enfrentar os assaltantes. Salvo alguns casos mais circunstanciais do que pela habilidade de defender-se será inútil pensar em levar vantagem, apenas com preparação rudimentar, sobre alguém que já chega de arma em punho, em muitos casos drogado e portanto fora do seu ponto de equilíbrio, e que está disposto a ferir e matar, porque ele ataca e também se protege. Domingo este jornal mostrou que cidadãos estão buscando cursos de defesa pessoal para enfrentar os bandidos, e sabe-se, pela revelação estatística, que a maioria da população ainda defende o armamento civil.
Sociólogo da Universidade Federal do Paraná, que se dedica ao estudo da violência, afirma que a falta de confiança na polícia é que está levando as pessoas a se armarem, mas pondera que se essa fórmula se intensificar a situação se agravará e gerará um faroeste. Os ensinamentos recomendam não reagir ante um assalto, não tentar fugir, não dificultar a ação do assaltante, responder apenas o que ele perguntar, buscar manter a calma ou pelo menos aparentá-la, não perseguir o assaltante na sequência, e avisar a polícia.
Estas são fórmulas de atenuar uma situação e evitar o pior, mas nem essas soluções e nem a eficiência policial irão resolver o problema da violência, sobretudo os atentados contra o patrimônio alheio, porque eles têm origem nas necessidades sociais, ante o desemprego ou a pouca renda de grande contingente de pessoas. A luta pela sobrevivência é um direito embora o assalto à pessoa e aos bens de terceiros seja crime então, governo e sociedade precisarão buscar fórmulas que não sejam armar-se e também não apenas reforçar o aparato de repressão, mas trilhar pelo caminho de eliminação da causa, que é a carência sócio-econômica.
Será inútil imaginar que a saída é a via do confronto, a construção de mais presídios e o trancafiamento dentro deles de todos os marginais. Há que debruçar-se na busca de dar ocupação produtiva à imensa legião dos sem-emprego. Um contraventor poderá abandonar essa condição se tiver renda suficiente, porque é de sua conveniência e ele tem consciência disso. Depoimentos de marginais ressalvados os casos mais agudos mostram que eles gostariam de viver uma vida normal, sem risco de acabar na cadeia ou morrer num confronto policial. Se cada agrupamento de pessoas contratasse um desempregado, o problema da violência se resolveria muito mais facilmente do que através de mais polícia e de armamento civil.

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