OPINIÃO DA FOLHA
O pacto
federativo
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva já vai exercendo governo, nesta fase de transição de dois meses que antecede a sua posse, e anuncia como um bom ponto de partida a decisão de celebrar um pacto federativo envolvendo a União e os estados num compromisso visando obter a aprovação, no ano que vem, das reformas tributária, fiscal e política. Na sequência, alcançada a reformulação do regime tributário, daria início à renegociação das dívidas dos estados, sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal e esperando não causar impacto aos cofres do Tesouro. Lula acatou sugestão para promover, antes de janeiro, uma reunião com todos os governadores eleitos em conjunto ou separadamente para ir construindo as bases desse pacto.
A solução para os problemas do Brasil terá de trilhar exatamente pelo caminho de um amplo acordo, com reuniões contínuas envolvendo governadores, as representações políticas e de todos os segmentos da sociedade. Recairá sobre a figura do Presidente, e de ninguém mais, o comando da articulação e da mediação desses encontros, com a firmeza de liderança que se exige de um chefe-de-Estado para conciliar interesses conflitantes e canalizá-los no sentido de uma meta comum. Acredita-se que não lhe falte esse poder de aglutinação, pela linha política demonstrada na campanha, e agora, já na qualidade de Presidente eleito. Seguindo esse diapasão, vale rememorar, como indicativo para o futuro governo federal, a receita das câmaras setoriais, instituídas na administração de Itamar Franco. É oportuno, também, lembrar que Itamar recebeu do governo de Fernando Collor um país em difícil situação e conseguiu, em dois anos e meio, promover o desenvolvimento e restabelecer a confiança nacional.
Lula, a par de grandes acordos, com os quais já acena para seu governo, faz outra revelação auspiciosa: a de que pretende governar não apenas a partir de seu gabinete em Brasília, mas percorrendo frequentemente o País um estilo do presidente Juscelino e fazer contatos com as representatividades sociais e diretamente com o povo um gênero do presidente Vargas. A Nação se ressente da presença do presidente da República em seu meio, porque, ao lado de medidas consistentes na busca de solução para os grandes problemas nacionais, há que motivar o povo para que se junte nessa cruzada. Os dois presidente citados tinham o poder de entusiasmar as massas, porque estavam sempre próximos do povo, e isso robustecia os sentimentos de nacionalidade. Não à toa ambos passaram à história como os maiores presidentes que o Brasil conheceu. Lula desponta como um homem público de características semelhantes em muitos pontos, e poderá restabelecer o otimismo que falta aos brasileiros.





