OPINIÃO DA FOLHA
Danos do pedágio para a agricultura
O pedágio é grandemente prejudicial também para a agricultura. Estudo da Organização das Cooperativas Agropecuárias do Paraná (Ocepar), publicado neste jornal, demonstra que o impacto dessa cobrança no custo do transporte de alguns produtos agrícolas está inviabilizando atividades como a exportação de milho e a correção do solo com calcário. O levantamento, baseado na safra do ano passado, mostra que só os caminhões que transportaram soja e milho para o Porto de Paranaguá pela via das quatro rotas mais utilizadas no Estado deixaram nos guichês do pedágio uma quantia suficiente para a produção de 90 mil hectares de milho.
Os cálculos da Ocepar revelam que cada caminhão de cinco eixos, no trecho Foz do Iguaçu-Paranaguá, em ida e retorno, deixa nos postos do pedágio o correspondente a 24,5 sacas de milho. Só o transporte daqueles produtos, na safra mencionada, demandou 370 mil caminhões nos percursos de Foz, Cascavel, Maringá e Ponta Grossa rumo ao porto, podendo-se calcular que o volume imaginário em sacas deixadas nas praças do pedágio produziria uma montanha descomunal. Uma volumosa soma em dinheiro subtraída do transportador e que se concentra em poder das concessionárias e dos demais segmentos que usufruem desse ganho.
Assessorias da Federação da Agricultura do Estado do Paraná denunciam que o custo do pedágio reduz a competitividade da soja brasileira frente à Argentina e aos Estados Unidos. No caso do milho, o pedágio no trecho Foz-porto equivale a 9,8% do custo de produção. O transporte de calcário de Almirante Tamandaré (região de Curitiba) até Paranaguá deixa o correspondente a 40,95% da carga nas praças do pedágio. No último sábado foi implantado o pedágio no trecho Jacarezinho-Ourinhos, e um caminhoneiro diz que passou a pagar R$ 10 em ida e retorno, e que este é o dinheiro que ele dispunha, de seu lucro, para almoçar e jantar.
Vê-se que, além de prejudicar a cadeia produtiva e por extensão a economia paranaense, o advento do pedágio está tirando também a qualidade de alimentação do transportador, o que caracteriza agravamento do problema da baixa renda e da saúde alimentar. Ademais, prejudicou o comércio das margens das estradas, como restaurantes e quiosques, que vêm encerrando atividades porque o viajante e o caminhoneiro deixaram de se alimentar melhor e de adquirir produtos que são ofertados ao longo dos caminhos, já que precisam guardar o dinheiro para o pedágio, ou simplesmente não trafegam. O novo governo terá de trilhar por árduos caminhos de negociações e também aplicar boa dose de impetuosidade, para desatar esse nó representado pelo pedágio, mas o povo ignora acordos firmados em papéis e a revolta popular poderá irromper quando o problema chegar ao ponto de exaustão.





