O governo
de Requião
Esperar do futuro governador Roberto Requião que contenha seus destemperos verbais será tão inverossímil quanto imaginar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se desfaça de sua barba, porque isso descaracterizaria traços marcantes da personalidade de cada um e seria até incômodo para os cidadãos absorverem esses novos perfis. Se Requião foi reconduzido para o cargo é porque o povo incorporou essa sua marca, que não será fator impeditivo para que estabeleça o necessário ponto de equilíbrio entre os Poderes e realize um bom governo. Importa que haja austeridade administrativa e que as ações sejam sérias, independente das palavras, se outro jeito não houver. Só a ausência de certas figuras transitando pelos corredores palacianos (caso não houvesse sido ele o eleito) já representa um alívio.
Roberto Requião encontra o Estado com uma elevada dívida, que ele deverá saber administrar, e terá de fazer o melhor governo possível com as escassas sobras orçamentárias de que irá dispor. Os cidadãos irão cobrar-lhe promessas de campanha, todas elas realizáveis, porque dependem mais de boa vontade do que de recursos financeiros. Caso do saneamento dos organismos de segurança pública, uma tarefa em que, segundo prometeu, irá empenhar-se pessoalmente, chegando a afirmar que nos primeiros meses de governo será ele mesmo o titular da Secretaria de Segurança.
Outro ponto insistente da campanha de Requião foi a reestruturação do sistema de pedágio, com a adequação das tarifas ao volume de serviços prestados pelas concessionárias, o que significará uma substancial redução. Porque, nesses quatro anos de existência do pedágio período em que a arrecadação foi milionária as obras foram pouco além da conservação. Não será um processo fácil reformular os contratos, mas, como tem declarado o então candidato e agora governador eleito, não há direito adquirido se ele foi usurpado dos cidadãos.
Mas não são apenas estes os problemas, porque as estradas estaduais não pedagiadas estão intransitáveis e precisarão receber atenção imediata. Melhor do que o governante agora prestes a deixar o poder, Roberto Requião conhece bem o interior do Paraná e sabe que não poderá pensar governo apenas estendendo as vistas sobre os limites da região metropolitana da Capital. Felizmente, sabe-se que esta não é a sua visão. A boa relação de Requião com o Presidente eleito é uma condição favorecedora, e disto será preciso tirar proveito, pois é por essas razões que se costuram as alianças.

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