OPINIÃO DA FOLHA
A máfia dos
combustíveis
Estratégias para auferir a maior lucratividade possível faz parte do universo dos negócios, mas no caso dos combustíveis, afora a formação de cartel que é ainda o menor dos males postos estão cometendo o crime de vender combustível adulterado. Ontem este jornal noticiou que, em Curitiba, 13 donos de estabelecimentos foram denunciados criminalmente por vender produto deteriorado. Mas enquanto o processo anda, sempre vagaroso, não se sabe o que continua acontecendo nesses postos. Para estes maus empresários a sanção deveria ser a prisão sumária já que é possível o flagrante de delito e o lacre das bombas.
Uma verdadeira máfia instalou-se no setor do combustível, onde operam bons empresários mas também pessoas inescrupulosas, que nada diferem dos assaltantes comuns em seu modo de operar. Porque o combustível adulterado prejudica o motor do carro e encurta sua vida útil, com isto destruindo um bem material precioso, que é o veículo. Não são apenas os carros de passeio, mas caminhões, ônibus, camionetes, vans, utilitários em geral, motocicletas e também motores estacionários, portanto instrumentos de trabalho, que ficam sujeitos a danos irreparáveis pela inadequação do combustível.
Alguns donos de postos alegam que o combustível já chega deteriorado, mas o Ministério Público alerta que se faça o teste da mercadoria, antes do desembarque, o que é simples e rápido e dá condições de rejeitar a carga e formular denúncia. Os proprietários indiciados alegam arbitrariedade contra eles, mas pergunta-se quem protege os consumidores e quem os indeniza pelos danos em seus veículos. Contra estes, sim, impera uma violenta arbitrariedade, porque falta-lhes condições de aferir se o combustível que lhe servem é puro ou deteriorado.
Os 13 denunciados são acusados de adicionar água ao óleo diesel; de vender gasolina comum como se fosse aditivada e gasolina com baixa octanagem; e de vender gasolina e álcool fora das especificações da Agência Nacional do Petróleo. Não há, portanto, que contemporizar, mas agir com rigor contra essa bandidagem.





