As tendências
das eleições no PR
A política tem facetas interessantes e demonstra como não existe uma unidade ideológica, nem de partidos e nem de candidatos. Recorda-se que Alvaro Dias, quando governador, tudo fez para passar o cargo a Roberto Requião, porque não desejava ver o governo do Estado nas mãos de José Carlos Martinez, então candidato que despontava com chances. Requião acabou eleito. Agora, Alvaro e Requião são adversários, e Alvaro passa a contar justamente com Martinez como seu grande cabo eleitoral. Os dois veteranos políticos, ambos ex-governadores, não apenas combatem em frentes distintas, um contra o outro, como têm se atacado verbalmente nos palanques, nos programas eleitorais do rádio e da televisão e nas entrevistas públicas. Em meio a essas incoerências perfeitamente explicáveis porque em política tem valido a conveniência do momento fica o povo, sabendo que é assim que acontece, porém inconformado com essa ausência de princípios.
Segundo turno deflagrado com autorização oficial para começar hoje nova batalha agora se trava, com promessa de muito bombardeio. Os dois candidatos voltarão suas atenções, naturalmente, para os eleitores que votaram em Beto Richa, em Padre Roque, nos demais disputantes do primeiro turno e nos que votaram em branco. Requião, em continuidade ao que já vem fazendo, baterá forte justamente num ponto crucial: a presença, no batalhão adversário, dos deputados federais José Martinez e José Janene. Por razões que são de domínio público.
Padre Roque e as demais lideranças petistas do Paraná já manifestaram apoio a Requião, nesta fase, e pela tradição de lealdade do PT, a legião de votantes do partido marchará unida com eles. Essa fatia de eleitores, portanto, já tem rumo definido. Tanto Requião quanto Alvaro pronunciaram-se a favor de Lula neste segundo turno, mas como o candidato à Presidência também está em campanha, e em face do apoio que recebe de ambos, certamente se manterá em prudente equidistância.
Quanto a Beto Richa, que subirá ao palanque de José Serra, o indicativo é de que derive para a neutralidade ou para a candidatura Requião, onde é mais baixo o teor de atrito com a família do néo-político, leia-se José Richa. Será então o eleitorado do PSDB e do PFL o de Beto Richa que Alvaro buscará, e nesse universo não existem certezas. Esta deverá ser a mais disputada eleição da história do Paraná, acreditando-se que quem vencer, vencerá por poucos votos.

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