Lula Presidente
O momento deixa antever a possibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva já vencer no primeiro turno, e mesmo que tal não ocorra, ele parece imbatível num segundo. Quanto mais crescem as preferências pelo candidato, na pesquisa eleitoral, mais adesões ele recebe, porque vão se manifestando os oportunismos de última hora, procedimento comum na política e inerente ao processo. Isso considerando que à hora em que este texto era escrito ainda não havia se realizado o debate dos quatro pricipais candidatos, ontem na tevê.
Os cidadãos brasileiros, ávidos de mudanças, vivem em constante revolta ante os políticos e governantes, pela repetição de velhas histórias de promessas não cumpridas, de muito desmando e corrupção, mas alimentam uma expectativa muito forte nesta hora que antecede a escolha do novo ocupante do Palácio do Planalto. A nação já absorveu a idéia de Lula Presidente, e mesmo as classes mais conservadoras demonstram não temê-lo, ao contrário do que aconteceu nas duas campanhas anteriores de que o candidato petista participou.
O ''novo Lula'' a que se assiste e que os seus partidários mais ortodoxos não apreciam muito, encontra acolhida no seio da população mais desconfiada de outrora e conta, também, com o advento dos novos eleitores, aqueles que não estavam aptos a votar nas eleições anteriores mas que agora sobem ao cenário e sentem aversão pelo que ouvem e assistem acerca dos governantes. Ademais porque vivenciam na própria carne a dificuldade de encontrarem o primeiro emprego; pela pobreza que vêem ao seu redor e pela insegurança que cerca a todos. O próprio governo, pelo pouco de bom e muito de ruim que deixa aos brasileiros, acabou se convertendo num grande eleitor de Lula.
Se o candidato, bem próximo de assentar-se no trono presidencial, não chega a ter uma proposta clara e definida de governo, é o único que cria expectativas de mudanças, ao menos no conceito da maioria dos cidadãos, que agora lhe devotam confiança. Também pesa a seu favor a existência de governadores petistas em cinco Estados, de prefeitos do partido em grandes municípios e de alguns luminares no Congresso Nacional, todos, por inegável tradição do PT, leais aos fundamentos de unidade partidária. Se a isso se somar a necessária competência para negociar com a comunidade parlamentar e as lideranças nacionais, com vista às grandes reformas que precisam ser feitas, Lula já terá os ingredientes para realizar um governo sustentável e produtivo.

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