Graduação
em política
A escola geral não é, por si só, formadora de um cidadão honesto e nem o qualifica para ser um bom governante, da mesma forma que pelos seus ensinamentos generalizados não o prepara para ser um bom executivo empresarial ou um bom chefe de família. Não se tem testemunho preciso de que a honestidade é uma virtude adquirida, porque nem a escola, nem a família e nem a igreja os três pilares da instrução do homem podem proporcionar essa garantia. Mas é certo que um curso de graduação em política daria maior preparo ao candidato a um posto governamental e o faria mais competente para o desempenho da função. Esse grau de aprendizado específico que difere da formação escolar genérica deveria ser exigido de qualquer postulante a cargo eletivo, mas tal não existe na legislação eleitoral.
Se, de qualquer profissional, exige-se certificado de aprendizagem, nada se pede do candidato a governante, ocorrendo com muita frequência serem eleitas pessoas que ganharam popularidade em programas de rádio e televisão, geralmente os do tipo policial ou de atendimento às necessidades das populações carentes, e outros que envolvem assistencialismo ou relações muito estreitas com as pessoas. Mas não apenas elas, e sim a grande maioria dos que se apresentam ao eleitorado, porque o despreparo em questão de administração pública é geral. Investidos do poder, esses indivíduos cometem muitos erros, porque não dominam leis e regimentos, não sabendo sequer casos da maioria dos prefeitos elaborar projetos de viabilidade para obtenção de verbas estaduais e federais, que acabam perdidas por caducidade.
Se uma escola de formação política, por seus próprios méritos, não daria a segurança de produzir um estadista ou um arrojado administrador público como estes de grande capacidade de visão e liderança ao menos o faria apto para a tarefa de gerir o negócio público sob sua guarda e menos propenso a cometer erros. Melhor que uma figura popular, que um hábil tribuno, que um mestre em assistencialismo social e um especialista em gerar comoção das massas, seria um bom gerenciador administrativo com suficiente sensibilidade humanitária.
O momento pré-eleitoral tem suscitado discussões públicas sobre a necessidade ou não de diploma de curso superior para candidatos a cargos governamentais. Evidente que a exigência de diploma é irrelevante, pois a especialidade em que se graduou pouco pode significar para as necessidades de um administrador público. O fato de a humanidade haver produzido grandes estadistas não os relaciona, necessariamente, com estudos que tiveram ou não, mas com uma inerente vocação e predestinação, características que marcaram, ao longo da história, o sucesso ímpar de determinados homens nas empreitadas em que se lançaram.

mockup