Nada a
preservar
Tem-se questionado o que o governo visa preservar, com sua desastrada estratégia político-econômica, se a própria contenção da inflação argumento que veio servindo de anteparo para justificar todos os malfeitos governamentais e os penosos sacrifícios impostos à nação nestes oito anos de administração Malan/FHC não foi alcançada. A disparada do dólar, que a apregoada segurança do regime não consegue deter ou não deseja fica à mercê da especulação. O ''efeito-Lula'' e agora o indicativo é que o candidato petista pode vencer já no primeiro turno acaba tornando-se realidade em face do oportunismo dos especuladores, porque eles estão de olho no painel das pesquisas eleitorais, para mais especular e lançar a culpa sobre esse fenômeno político.
O governo imagina tirar dividendo eleitoreiro das repercussões negativas disso decorrentes, supondo que enfraqueçam o candidato oposicionista e fortaleçam o governista, mas tal não tem ocorrido, antes o contrário e até nisso a imprevisão governamental se revela. Com a subida da moeda de referência dos negócios transnacionais, o gás fora da cesta básica já está mais caro e os combustíveis também subirão, elevando os custos de tudo o que se transporta. O inocente pãozinho das manhãs de todo brasileiro, atrelado ao dólar por conta das cotas de importação de trigo, já passa de R$ 0,20, uma subida olímpica de 100% desde o início do atual governo. No conjunto, os preços monitorados deverão subir 9,3% até o final do ano.
O ganho do trabalhador foi desvalorizado em sua capacidade de compra, então não houve melhoria de vida, mas uma piora, agravada pelos 7,8 milhões de desempregados, segundo os números do IBGE, mas que subiriam para 11 milhões pelas estimativas não oficiais. A inflação, que no dizer do governo foi domada, é uma pregação falsa, porque não se pode crer em moeda estabilizada se ela é inflada assustadoramente em índices que ultrapassam os 100% ao ano, em certas operações bancárias, e isso continuadamente nesses anos do atual governo, atingindo quase esse patamar também nas vendas a crédito do comércio e em quase todas as contas, particulares e públicas, sobre as quais incide juro. Não se identifica, portanto, onde a vitória do candidato mais cotado abalaria o que o governo qualifica de ''estabilidade econômica'', porque nada há a defender e a preservar.

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