Desvirtuamento
do partido político
O objetivo dos partidos políticos é conquistar o maior número possível de postos de comando na administração pública, e isso é assim no Brasil e também nas grandes democracias. Corporações partidárias são fortes quando têm maior quantidade de filiados, mais cadeiras legislativas, mais ocupantes de cargos executivos, mais titulares nos ministérios, mas não apenas estes e também chefias regionais, de fundamental importância para as bases comunitárias dos partidos.
Mas se, nos países desenvolvidos, o poder político e os cargos de comando são fortalecedores do regime governamental e alicerces da democracia representativa, no Brasil os postos-chave conquistados pelos partidos costumam converter-se em redutos de mandonismo, do que se servem não apenas os indicados para as respectivas funções mas sobretudo aqueles que os indicam. Embora isso não seja regra geral, os casos são constantes e chocam a opinião pública.
Exemplo é o que acaba de ocorrer no Paraná com a prisão de um delegado regional do Trabalho, envolvido em denúncia de corrupção em Londrina. Este homem público, detentor de relevante função, foi indicado para o cargo por um partido político, que tem outro influente homem público implicado naquele mesmo caso e um anterior titular da Delegacia do Trabalho igualmente afastado, por denúncia de irregularidade este, da mesma forma, investido no cargo por indicação desse partido.
Episódios como este é que fazem a diferença entre os partidos fortes de nações altamente politizadas e os de repúblicas onde é frequente o desvirtuamento da função das agremiações partidárias e onde, por isso, a comunidade política é vista com desconfiança e encontra forte rejeição da sociedade. Partidos políticos não podem ser instituições a serviço da corrupção.

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