OPINIÃO DA FOLHA
Um governo que
gere condições
Não se espera do novo presidente da República que seja o gerador de milhões de empregos, a menos que determine a contratação, para funções burocráticas, de todos os milhões de desempregados do Brasil e os adicione aos outros milhões que locupletam as repartições públicas. A função do governante, naturalmente, não é essa e sim criar condições para que a iniciativa privada cresça, e assim as vagas de trabalho virão por acréscimo. Para isso será necessário, como primeira medida, libertar o dinheiro estancado e que, por isso, não anda, de forma a que fique barato e circule, porque este é o seu papel.
O Brasil teve períodos de grande desenvolvimento e outros de estagnação como agora e pergunta-se como isso pode acontecer se a moeda circulante foi sempre a mesma, com pequenas variações. A resposta elementar é que houve épocas em que o dinheiro girou mais intensamente, e outras menos. Em países ricos o custo do dinheiro é baixo, por isso todos os cidadãos têm acesso a ele, e o fazem circular. O resultado é o aquecimento da economia e a explosão desenvolvimentista, gerando povos abastados, de que temos tantos exemplos.
No Brasil, a moeda está imobilizada e não pode movimentar-se, e quem dela precisa para tocar o seu negócio tem que pagar caro, pois o dinheiro deixou de ser um meio para transformar-se em mercadoria, de custo exorbitante. Ocorre que o atual governo cujos titulares tanto viajam para países desenvolvidos mas parece não terem olhos para ver imaginam em sua mentalidade torta que dinheiro girando vai gerar consumismo e inflação, por isso tudo faz para tirá-lo das mãos do povo. Ao invés do estímulo ao consumo, que faz girar todas as rodas do desenvolvimento econômico e da melhoria de vida, prefere o aniquilamento pela inanição.
Os milhões de desempregados e o montante geral de 40 milhões de brasileiros vivendo em situação de penúria segundo os números de um organismo do próprio governo, que é o IBGE mostram à exaustão que essa política é equivocada e indicam que é preciso mudar. Porque a questão interna dos juros não está atrelada a imposições do FMI, que, para conceder seus empréstimos, apenas exige a contrapartida de políticas econômicas sólidas e responsáveis. Entre os quatro principais postulantes ao cargo de presidente da República, o melhor será aquele que implantar políticas de choque para baixar os juros, sem temor de corrida para o consumismo, porque se isso ocorrer será não o caos mas a salvação da pátria.





