Crise de
autoridade
A segurança pública no Paraná parece enfrentar, além do aumento da criminalidade, uma crise de autoridade. Dois dias depois do secretário José Tavares determinar ao comando da Polícia Civil que nenhum policial seja transferido para a 10 Subdivisão Policial (SDP) de Londrina se estiver respondendo a processo disciplinar por falta grave, conforme textualmente manifestado em nota encaminhada pela assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança aos veículos de comunicação, outra decisão foi divulgada ontem, pelo delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro.
A posição do secretário Tavares, conforme a nota à imprensa, seria em tom de rigor: ''Está proibida a remoção de qualquer delegado ou investigador da corporação que esteja envolvido, ou mesmo que já tenha respondido, à acusação grave'', teria sido a determinação, sob a justificativa de que há um esforço de toda a equipe da Secretaria da Segurança Pública para reverter os índices de violência e criminalidade em Londrina.
Por essa determinação, dos 12 policiais que haviam sidos remanejados para reforçar a 10 SDP, sete teriam que voltar às suas localidades de origem, por se enquadrarem nas condições estabelecidas pelo secretário. A Corregedoria da Polícia Civil, por seu lado, também confirmou que dentre os 12 remanejados, metade responde por alguma falta. Mas pela decisão anunciada pelo delegado-geral, ontem, apenas dois não devem permanecer. Os demais ainda estariam sob suspeita e seus processos estariam apenas na Corregedoria, ainda não tendo chegado ao Conselho da Polícia.
Não só na polícia, mas em qualquer repartição pública, o rigor deve valer tanto quanto ocorre nas empresas privadas, mesmo que algum dispositivo legal disponha pelo contrário. Sob este enfoque, que prima pela coerência do serviço ou do produto ofertado ao consumidor ou usuário, qualquer funcionário suspeito deve ser recolhido até que a investigação sobre sua falta chegue ao final, concluindo por culpa que cabe a exoneração ou inocência.
É inconcebível que alguém suspeito possa exercer sua função. E de ambos os lados a incoerência causa choque, pois o patrão, mantendo-o, de uma forma direta está endossando a atitude do empregado e este, mantido, atua convicto que sua falha tem pouca importância para o sistema no qual está inserido. Como confiar, por exemplo, no profissional da área médica acusado de neglicência? A mesma indagação é feita em relação ao policial, sendo ele acusado de corrupção ou abuso de autoridade. Mantendo-o na ativa, o Estado está, simplesmente respandando suas ações, sejam de corrupção ou de abusos.
E se coerência houve por parte do secretário, seus comandados, num ato que transparece desacato, agem de outra forma. Cabe agora a este mesmo secretário mostrar ao Paraná não estar ocorrendo no seio da segurança pública uma crise de autoridade.

mockup