Os números
do emprego
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que no seu período de governo houve um aumento expressivo de empregos, mas pelo andar da economia nesse período, que foi de contínua recessão por conta de suas equivocadas políticas, não se sabe de onde o chefe da Nação extrai essa estatística. O certo é que o Brasil convive hoje com 7,78 milhões de desempregados e com um quarto da população em situação de miséria, conforme números do IBGE.
Não se conheceu, do governo FHC, um programa que se pudesse qualificar de desenvolvimentista e que tenha gerado aumento de empregos. Se o País não deixou de avançar em certos setores, não foi por mérito de políticas governamentais, porém à revelia e apesar delas, pois o Brasil-cidadão, naturalmente, não está morto. Se, de 1993 até agora, pelos dados do IBGE, o número de desempregados cresceu assustadoramente e com ele a violência então foi de desemprego e insegurança o aumento expressivo a que se refere o presidente da República.
Fosse boa a situação, no que respeita às vagas de trabalho, os políticos em campanha não falariam tanto do assunto. O próprio candidato do partido governamental à Presidência anuncia solenemente que tem a fórmula de criar 8 milhões de empregos. De sua vez, o candidato petista rebatendo os adversários nega que esteja prometendo 10 milhões de empregos, embora mencione a necessidade de abrir aquele número de vagas. A verdade é que o desemprego é o objeto central da campanha política e assunto diário entre os estudiosos dos problemas sócio-econômicos, e sobretudo entre aqueles que sentem na carne a ausência de um ganho, pela falta de trabalho.
Não será o presidente FHC que irá levantar bandeiras de que seu governo foi gerador de empregos. A esperança que o atual governo deixa é que lhe restam apenas três meses e meio de vida. A simples perspectiva de mudança de comando e da saída de ilustres figuras de sua equipe econômica são indicativos de melhores tempos, vença qualquer um dos candidatos. Não é utopia criar um considerável número de empregos, milhões que sejam, porque descrer dessa possibilidade é descrer do potencial do Brasil. Mas para isso será preciso fazer tudo ao avesso do que fez o governo de FHC, porque nada avançará com tanto emperramento oficial, com tão pesada carga tributária, com juros escorchantes e com políticas públicas que bloqueiam o giro do dinheiro, impedindo a sua livre circulação e por consequência o desenvolvimento.

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