Hora de levante
da liderança rural
A persistir o descalabro cometido pelo governo federal com sua famigerada cláusula 12 da recente minirreforma tributária, o setor rural brasileiro ficará inviabilizado e entrará em processo falimentar. Não há como contemporizar a situação simplesmente aguardando que o governo conserte o erro, porque não foi por equívoco que tomou aquela medida e sim pelo apetite voraz de arrecadar mais, sem medir consequências.
Ao impor ao produtor rural de escala, pela tabela progressiva, até 27,5% do imposto de renda na fonte, sobre a receita bruta, o governo retira-lhe antecipadamente a perspectiva de lucro, tornando impraticável a atividade. O resultado será um desastre também para a economia nacional, porque todos serão atingidos, desde o produtor primário até a agroindústria, o comércio e, na ponta da linha, o consumidor.
A declaração do secretário-geral da Presidência da República, o paranaense Euclides Scalco, de que a cláusula será alterada, não dá garantia de solução, porque o que se exige é a eliminação pura e simples dessa medida absurda. A hora é de que as lideranças rurais e as representatividades conscientes, de todo o País, se mobilizem, ou será a catástrofe do campo e o caos geral da atividade econômica. A medida, prevista para entrar em vigor em 2 de janeiro do próximo ano, caracteriza apropriação de dinheiro do produtor rural e um atentado contra a própria segurança no campo.
A bancada ruralista no Congresso não pode dar fôlego a esse vírus que figura no corpo da Medida Provisória 66 e deve sufocá-lo no nascedouro. Mas é preciso que as lideranças rurais se levantem, como fizeram no passado os cafeicultores com a Marcha da Produção (abortada pelo Exército logo na partida, mas importante, porque mostrou a coragem e a força da classe). Esse célebre movimento se insurgia heroicamente contra o confisco do café, pelo qual o governo abocanhava grande parte da receita com a exportação daquele produto confisco semelhante ao que agora quer a desastrada cláusula 12.

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