OPINIÃO DA FOLHA
A função social
de cada cidadão
A baixa dos índices de criminalidade, sobretudo dos atentados contra o patrimônio, só ocorrerá quando também baixarem os índices de desemprego e pobreza. Enquanto essa causa fundamental não for combatida os efeitos persistirão e a sociedade padecerá do mal de sua própria negligência. Salvo raras exceções, quem assalta e rouba, e às vezes mata, não é por natureza um delinquente. É a situação de miséria em que vive que o induz à perda de seus próprios valores, porque a necessidade, sem o vislumbre de um trabalho e um salário, leva-o a estado de desespero. O que ocorrer a partir daí será apenas uma natural consequência.
A população desorientada pede mais polícia e imagina que a repressão, por si só, resolverá o grave problema da marginalidade. A ordem, porém, não se restabelecerá apenas pela simples medida de encher as cidades de soldados armados e de todos os efetivos de combate. Porque, se não se atacar as razões sociais que levam à apropriação de bens alheios, o resultado será uma guerra civil entre homens em armas e os infratores miseráveis, e não se terá certeza de quem será o vencedor. Porque, pela estatística oficial, são 50 milhões os brasileiros que vivem em situação de necessidade extrema, um volume infinitamente maior do que os homens de todas as polícias reunidas e mais o Exército inteiro.
A polícia terá de agir, ou o caos se tornará ainda mais insustentável, mas não será pela força bruta que se eliminará a marginalidade e sim pelo combate às suas causas. Esta é uma tarefa longa e exaustiva, que compete não apenas aos governos mas à própria sociedade. Hoje os marginais sociais que são também grandes vítimas, embora custe à sociedade entender isso estão soltos e os cidadãos presos em suas casas, com medo dos que estão do lado de fora.
A fórmula, que não é simplista porém a única, é que cada empresa, instituição, empregador individual, contenha demissões e, ao contrário, busque contratar, pois este é o caminho para evitar mais um delinquente potencial. O momento é para uma tomada de consciência, independente das ações dos governos, estes igualmente assaltantes do povo e esta é mazela que incumbe também à sociedade combater. Sempre se tem dito que, diante de tanta miséria social e de tanta violência daí decorrente, cabe a cada cidadão conscientizar-se de sua responsabilidade social nesse processo. Faz-se necessário um esforço nacional para conservar e proporcionar mais empregos, porque em sua grande parte quem pode dá-los não é o governo, mas a sociedade.





