As promessas
de campanha
Aquilo que candidatos ao governo estadual estão prometendo é possível realizar, o que é diferente de garantia de que o farão. Afastadas certas idéias absurdas, de políticos tão inviáveis quanto o que apregoam, não está fora das possibilidades executar promessas de campanha. O que ocorre é que, na maioria dos casos, os candidatos não são sinceros e convictos em suas pregações e, se eleitos, logo esquecem o que prometeram ou não têm a necessária competência para concretizar o que imaginavam fazer.
As promessas mais polêmicas tema de reportagem de ontem deste jornal são o fim do pedágio ou a redução das tarifas, que são propostas de um dos candidatos, e a distribuição de leite gratuito para as crianças carentes e a criação de 520 mil empregos em quatro anos, metas de outro. Essas propostas são plenamente realizáveis, só dependendo de bancá-las e assumir as custas que isso representará.
No caso do pedágio, não há nada que o homem crie que não possa ser desfeito, e se o candidato realmente se empenhar nesse propósito ou no mínimo o de baixar as tarifas criará um tal clima de mobilização da opinião pública e uma tão poderosa avalanche de posições favoráveis (pois a população inteira é contra o modelo de pedágio implantado) que barreira nenhuma resistirá. Ademais, existem questionamentos quanto à constitucionalidade do sistema e brechas legais que darão motivo a muita discussão jurídica e a uma possível decisão dos usuários de não pagar.
Diz-se em linguagem popular que a revolta do povo é como estouro de boiada depois que irrompe ninguém mais segura e no caso a indignação popular é grande. O campo é, portanto, muito fértil para uma vitória dos ideais do candidato, pois negar isso é descrer e desdenhar da força do povo. Quanto à distribuição gratuita de leite, impossível não acreditar que isto é realizável, considerando o volume da produção leiteira do Paraná. Possível é, restando saber até que ponto o candidato, se eleito, levará adiante a empreitada.
Um pouco mais polêmica é a promessa de criar os 520 mil empregos, porque isto não é como as vacas de úberes generosos, mas depende de bem engendrados planos de desenvolvimento, que têm, também, muito a ver com a conjuntura nacional e com a macro política econômica. Mas também não é fora de propósito. Tudo isso, e muito mais é possível, porque o que os governantes não fazem, o povo um dia acabará fazendo, a seu modo. O que não se tem é a garantia de que eles, candidatos, acreditem na possibilidade do que prometem e tenham a suficiente capacidade de transformar as promessas em realidade.

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