OPINIÃO DA FOLHA
Novamente a vez do álcool
Para atender aos mandamentos de defesa ambiental estabelecidos no Protocolo de Kyoto, do qual o Brasil é um dos signatários, o álcool carburante poderá retornar com plena força. Já na próxima semana nosso País e a Alemanha vão assinar declaração conjunta que consolida o propósito da Volkswagen brasileira de produzir, nos próximos anos, 100 mil carros movidos com aquele combustível. A notícia é recebida com euforia, porque, ao tempo em que acena com uma melhor qualidade futura do meio ambiente, pelo retorno da escalada dos veículos a álcool muito menos poluentes anima a indústria sucro-alcooleira, pela perspectiva que se abre de produzir para o mercado nacional e também exportar e não só o combustível mas também refinarias e a respectiva tecnologia.
O protocolo é assinado por grande número de países industrializados e estabelece a obrigatoriedade de, cada qual, reduzir a emissão de gases poluidores. A Alemanha vale-se, inclusive, de sua indústria automobilística instalada no Brasil para obter créditos pontuais que atendam à sua cota no tratado, por isso que não haverá retrocesso nesse programa de motores de tração a alcool. A produção de veículos dentro desse padrão atende também ao compromisso do Brasil no Protocolo e fará ressurgir o Programa Nacional do Álcool, lançado com grande êxito nos anos 70 e que depois foi sendo abandonado. Os Estados Unidos, embora não assinando o tratado de Kyoto, por julgá-lo prejudicial às suas indústrias (altamente poluidoras), estão, não obstante, interessados em adotar a tecnologia do álcool automotor, assim como acontece com outros países europeus e gigantes asiáticos como China, Japão e Índia.
São grandes as perspectivas que se abrem para o Brasil, e especialmente para o Paraná, que embora não deva substituir lavouras da cadeia alimentar por cana, é o segundo maior produtor canavieiro do País, só superado por Alagoas. Ademais, possui grandes usinas produtoras de açúcar e álcool e domina a tecnologia desse combustível vegetal. O Brasil foi pioneiro na busca de combustível automotivo renovável, porém interesses nunca suficientemente explicados desaceleraram o Proalcool, que agora reaparece, com indicativo de ficar, porque todos os países signatários do Protocolo de Kyoto terão que cumprir suas cotas de redução dos gases poluentes. O álcool brasileiro acena como o combustível salvador, no que respeita ao ítem automotivo, e são poucas as regiões do mundo com possibilidade de produzir cana e fornecer tecnologia nesse setor como o Brasil.





