A calamidade das estradas




A calamitosa situação das estradas estaduais e federais do Paraná só ocorre por negligência governamental e não porque falte dinheiro para as obras de recuperação. Nem as estradas pedagiadas, cujas concessionárias arrecadam milionárias somas, podem ser consideradas boas, porque têm apenas o básico necessário, quando deveriam estar duplicadas em toda a extensão, um procedimento que precisava ter acontecido antes do início da cobrança do pedágio. Como tal não aconteceu, as concessionárias desfrutam da arrecadação, executam obras de manutenção e curtos trechos de duplicação, que impressionam os usuários menos informados, mas não passam disso, depois de quatro anos de pedágio e centenas de milhões arrecadados.
Já as estradas não pedagiadas, estas contam com R$ 175 milhões anuais, que é a parte que cabe ao Estado na arrecadação do IPVA depois da divisão com os municípios. Os 2 milhões e 300 mil veículos cadastrados no Paraná recolhem aos cofres públicos, portanto, o suficiente para a conservação das estradas. É oportuno lembrar que o Estado ainda arrecada as multas, e os municípios o ISS sobre o pedágio, tudo por conta do tráfego de veículos. Mas essa receita tem sido destinada para outros fins, que não o de conservar as estradas estaduais, e por isso a situação de calamidade mostrada domingo em reportagem deste jornal.
O asfalto está todo esburacado, sem acostamento adequado e com péssima sinalização, causando prejuízos, acidentes, danos nos veículos pelo simples tráfego nessas condições, e perda de tempo. Nem a desculpa de chuvas pode ser apresentada para justificar a deterioração, pois o tempo está seco há bastante tempo. O que ocorre mesmo é o descaso. E são essas rodovias que escoam a produção agrícola, pois a riqueza do Paraná tem origem principalmente no campo, por isso a importância de boas estradas para o transporte das colheitas.
Não é muito remoto o tempo em que o Paraná era um Estado sem estradas. Sem esquecer a construção da Rodovia do Café – um empenho do governador Ney Braga junto ao governo federal – foi na administração de Jaime Canet que ocorreu o grande salto no setor rodoviário, com o asfaltamento de 4 mil quilômetros de rodovias entre municípios. A partir de então o Paraná ganhou outro perfil no setor, e realmente integrou-se, só sofrendo um revés agora, com a implantação do pedágio e o abandono das demais estradas estaduais, além da caótica situação das rodovias federais.

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