A POLÍCIA E A SEGURANÇA




A polícia conhece a maior parte dos ladrões e assaltantes, sabe com quem lida e é raro que um novo delinquente surja na praça e os agentes não saibam. Os marginais também se conhecem entre si e identificam os corpos estranhos na área, assim como conhecem os policiais e sabem como eles operam. E tudo isso ocorre – independente de qualquer outro juízo que a priori se faça – porque o campo de ação dos marginais é o mesmo em que os policiais atuam por dever de ofício. Se a polícia tem ou não condições de combater a criminalidade e se é esta ou não a sua disposição predominante, o certo é que sabe quem rouba e assalta, conhece as especialidades de cada marginal ou de cada agrupamento, tem o mapa dos ‘‘mocós’’ e não encontra dificuldade para localizar o paradeiro dos delinquentes.
Quando um roubo ocorre, pequenos pertences são, geralmente, os primeiros a ser devolvidos aos donos. Valores maiores e dinheiro, por não terem marca, diluem-se como o vapor das águas. Por estes dias estão ocorrendo, em Londrina, assaltos idênticos, deixando supor que os marginais sejam os mesmos. Se, de um roubo anterior, algo foi devolvido, então começa-se a imaginar que os ladrões foram detidos para simples aferição, mas logo soltos. Alguns são menores e não há como aplicar-lhes sanções, por força de lei. A verdade é que os cidadãos não confiam na polícia, por isso não levam muitos casos ao conhecimento policial por não acreditarem que isso vá resolver o problema.
Mal remunerados, vivendo perigosamente e com o desfile de tantos valores ante seus olhos, originados de roubos, os agentes de polícia ficam expostos à tentação muito mais que outras pessoas, por operar justamente no universo da delinquência, onde prevalece a mentalidade de que a quem tem não faz falta e que, por isso, roubar é um direito. Há policiais que pensam da mesma forma. Não é, pois, apenas a existência dos marginais que atormenta a sociedade, mas esse estado de deterioração do sistema policial e, por extensão, da administração pública em geral.
O caminho das soluções passa pela melhoria das condições sociais, de forma a proporcionar oportunidade de emprego para todos e assim diminuir a incidência da marginalidade; pelo melhor selecionamento e formação dos agentes, que resultem em qualidade, e isso só se consegue com mudança de critério, com educação e salário digno.

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