OPINIÃO DA FOLHA
Assassinatos e execuções sumárias praticados por traficantes de drogas não constituem novidade, e também jornalistas são passíveis de figurar entre as vítimas se ousam colocar os pés nesse território e denunciar o que acontece em seus domínios. O vasto noticiário sobre o extermínio do repórter Tim Lopes e a grande importância que os veículos de comunicação estão dando ao fato não podem ser encarados sob a ótica de que tal ocorre porque a comunidade da informação perdeu um dos seus. Também não se imagina que os comandantes dessa atividade criminosa façam distinção entre os seus desafetos e, por isso, eventualmente venham a poupar um homem de imprensa, um policial ou uma autoridade mais graduada.
O que acaba de acontecer é que mais uma voz da repressão se cala, e com isso a sociedade perde e fica mais enfraquecida. Vai se tornando desigual a batalha entre o crime organizado e as forças legais que lhe dão combate, com vantagem para o primeiro, pois o negócio das drogas cada vez mais se expande no mundo e com ele os aparatos de defesa, que constituem verdadeiros exércitos paralelos, municiados dos mais sofisticados armamentos e esquemas táticos. O repórter agora assassinado figurava entre esses repressores, porque não se limitava a noticiar, mas também investigava os fatos em profundidade e buscava caminhos de resolução.
Também o universo da comunicação de massa não está livre de profissionais que se utilizam da sordidez no trato com a informação - e que divulgam a notícia apenas em função dela mesma, com todos os ingredientes de espetáculo e sem atentar para os seus componentes sociais - mas prevalece, na imprensa de maior alcance e influência, o ideal do jornalismo comprometido com a sua responsabilidade social e com a causa de uma sociedade mais justa e mais feliz.
É este jornalismo que se quer preservar, especialmente quando tangido por baixas em seus efetivos, como agora ocorre. A imprensa é ainda a guardiã da sociedade e sem ela não se poderia pensar conceitos de democracia. Ela tem seus grandes inimigos justamente na legião dos déspotas, dos governantes corruptos e dos que partilham com eles, das organizações criminosas que dominam sobretudo o meganegócio das drogas e em todas as demais modalidades de ilícitos.





