OPINIÃO DA FOLHA
O mal das drogas lícitas e ilícitas
Bebidas alcoólicas e cigarro são tão nocivos quanto as drogas clássicas, mas qualificados como lícitos e por isso livremente comercializados e propagandeados. Pesquisa agora feita em Londrina por dois médicos, com apoio da Secretaria Municipal de Saúde, mostra que a chance de um fumante se tornar usuário de drogas é maior que a de um não-fumante. As vítimas mais expostas são os adolescentes, que geralmente se iniciam no uso do fumo antes dos 14 anos.
A droga propriamente dita demonstra a pesquisa é adquirida e consumida, pelos jovens, nas casas dos próprios amigos, nos bares, nas ruas e nas proximidades das escolas, onde falta o suficiente policiamento para impedir a presença dos traficantes.
O levantamento revela que os adolescentes desejam conversar mais sobre drogas e também sobre sexo, especialmente na escola, mas os próprios pedagogos afirmam que escasseia nos professores a capacitação para a disciplina, que não é tão simples como ensinar a ler e a escrever.
A tradição, estribada em preconceitos seculares de escola, igreja e família, nunca permitiu a discussão desses temas. Nesse campo, há que começar tudo do zero, e o primeiro passo é qualificar orientadores, que naturalmente necessitam de formação nas ciências da sexualidade, da psicologia e afins.
No sentido inverso, impera o liberalismo da televisão, e mais recentemente da internet, que banalizaram o sexo e o apresentam como coisa fácil e descartável como se expressou uma mãe de adolescente a este jornal e como ingrediente para enriquecer imagens visuais de filmes, novelas e programas das ribaltas.
Já a droga, esta é pior que o terrorismo e as moléstias incuráveis, e sobe ao pódio como a mais insidiosa praga da humanidade contemporânea. Envolve poderosas organizações criminosas, que dominam esse formidável mercado e tem ramificações em todo o planeta.
Nesse confronto pesado, enquanto a guerra não for ganha pelos exércitos das nações, há que diminuir as facilitações e o estímulo ao consumo, pela educação dos adolescentes, o que é tarefa das escolas, da família e dos veículos de comunicação, e pela repressão ao tráfico, e esta é responsabilidade dos organismos de segurança.





