OPINIÃO DA FOLHA
A atenção que se deve dar ao vice
Os candidatos a cargos executivos procuram nos seus vices apenas nomes que não os atrapalhem na corrida eleitoral, e é somente esta a virtude que buscam neles. Porém, para o eleitorado, os vices devem ser encarados não como meros figurantes de chapas, mas alguém que pode vir a ocupar o poder, e não só nas ausências temporárias do titular mas definitivamente. A história recente da vida política brasileira mostra que dois vice-presidentes da República foram guindados ao poder e governaram por longo tempo. Primeiro, com a posse do vice José Sarney pela morte de Tancredo Neves, este eleito não pelo voto direto mas pelo Congresso Nacional; e a seguir com a posse do vice Itamar Franco substituindo Fernando Collor, eleito por sufrágio popular mas que acabou cassado. Para os titulares, esses vices pouco ou nada representavam, mas viu-se da importância que eles viriam a assumir perante a nação.
Na trajetória política do Paraná de décadas recentes, vice-governadores ocupararam definitivamente o cargo meia dúzia de vezes, e em Londrina e Maringá os prefeitos do mandato anterior também deixaram vagos os cargos, por motivo de cassação. O vice é mais importante que o valor que lhe atribuem os candidatos, pois eles afirmam que esse obrigatório componente de chapa não puxa votos e pode até atrapalhar. É apenas sob esse enfoque que eles o encaram. Nenhum titular, nem como candidato e nem como governante, vê com bons olhos a figura do vice, que é como sombra sinistra a alertar permanentemente que a vacância pode ocorrer, por morte, por cassação ou por outro impedimento. Mesmo a simples desincompatibilização em final de mandato, quando ocorre, não agrada o governante em exercício, por não apreciar a entrega do comando ao outro.
Importa pouco se o vice puxa votos ou não; se, na opinião do candidato titular, ele destoa, e se no exercício do poder ambos venham a atritar-se, o que acontece com frequência. Mas deve interessar muito ao eleitorado saber quem é esse companheiro de chapa, porque ele pode chegar à titularidade efetiva e ocupá-la até o encerramento do mandato. Há então que prestar atenção ao vice que se apresenta como candidato à função e ver se ele tem condições de ser o titular, porque a história atesta que isso aconteceu muitas vezes.





