Ganhar a Copa do Mundo nos fará campeões mundiais de futebol, mas há um título que o País já ostenta, que é o de campeão mundial de desemprego. A China, com 1 bilhão e 200 milhões de habitantes, tem pouco menos de 6 milhões de desempregados, enquanto o Brasil, com a baixa população de 175 milhões, tem nada menos que 11 milhões e 454 mil pessoas sem trabalho. Não é, então, o excesso de gente em um país que dificulta a ocupação para todos, mas a ausência de políticas que proporcionem a dinamização da economia e, como consequência, o uso intenso da mão-de-obra.
Os últimos levantamentos mostram que o Brasil só tem menos desempregados que a Índia, com 41 milhões, porém se cotizarmos com o quase 1 bilhão de habitantes daquele país, teremos que, proporcionalmente, o Brasil tem mais desempregados e desponta como o campeão mundial nesse ranking, ao menos entre os países mais populosos. A Rússia, com maior população que a nossa, tem 7 milhões e 400 mil desempregados, e os Estados Unidos, também com maior volume populacional, tem 5 milhões e 600 mil pessoas sem ocupação.
Essa estatística refere-se ao ano 2000 e se baseia em números coletados em fontes como a Organização Internacional do Trabalho e organismos das Nações Unidas, do FMI e da Cepal. Em 1980 o Brasil era o 9º no ranking, com cerca de 1 milhão de desempregados, mas também com população menor. Depois foi subindo, até chegar ao preocupante patamar de hoje. Quando o atual governo federal assumiu, havia no Brasil 4 milhões e 510 mil desempregados, e hoje o número não só dobrou como quase triplicou.
Esse aumento do desemprego se deve à política equivocada da equipe econômica do governo, que virou as costas para projetos de desenvolvimento e contemplou, obsessivamente, o combate à inflação ᖠo que, até onde conseguiu, foi graças à recessão e à queda da produção e do consumo e à igual queda do poder de compra. A situação veio nos conduzindo até à marca de campeões mundiais de desemprego. Realidade mais evidente do que esta não seria necessária, para mostrar os erros da política econômica. Só o governo ainda não conseguiu ver.

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