Contrariando a posição de expressivas representações da cadeia produtiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve inalterada em 18,5% ao ano a taxa da Selic (sigla de Sistema Especial de Liquidação e Custódia e que significa o registro escritural das operações financeiras, utilizado pelos bancos de liquidação de títulos e depósitos em cheques). A reação de descontentamento foi imediata. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) declara que o governo atribui peso irrelevante ao que se passa com a atividade econômica do País.
Este o ponto fundamental: a desconexão e o descaso da comunidade monetarista oficial com a realidade da economia, que tem relação direta com a insegurança empresarial e social imperante. A decisão intransigente de manter alta aquela taxa de juros já leva o setor produtivo a rever a expectativa otimista que havia pela crença numa baixa da Selic, e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada também refaz suas projeções, e para pior. A previsão, para 2002, de que o produto interno bruto cresceria 2,5%, cai para 2%, e a estimativa é de queda também na produção industrial.
Sob a bandeira de conter a inflação, o governo sacrifica o desenvolvimento, porque a manutenção dos juros elevados estagnou a economia, fez diminuir a produção e gerou desemprego e todas as suas consequências. Segundo a Fiesp, o empresariado não encontra espaço para investir. O próprio sistema financeiro reagiu à decisão do Copom, e a Associação Brasileira das Companhias Abertas demonstra que, no patamar de 18,5%, a ponta dos empréstimos resulta em taxas de 40% a 60% ao ano. Nesses níveis não há atividade produtiva que resista e obtenha retorno. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, ao criticar a decisão do Copom, qualifica-a de ‘‘um sinal ruim, que tromba com os interesses nacionais’’.
É uma visão distorcida, esta da equipe econômica do governo, de conter a demanda e a circulação do dinheiro pela fórmula do juro alto, visando assim frear o consumo e a inflação, porque isto paralisa tudo. Com recessão e desemprego a massa salarial consumidora vai perdendo força, e a atividade produtiva também se enfraquece, assim enfraquecendo tudo o mais, numa reação em cadeia. Só a comunidade oficial encastelada em Brasília não faz caso disso.

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