O alerta deste jornal sobre as ameaças que delinquentes vinham fazendo aos menores que atuam na Zona Azul, em Londrina, não significava um indicativo para tirá-los da atividade. A promotora do Trabalho da 9ª Região, em Curitiba, Margaret Matos de Carvalho, entendeu diferente e ao ler a reportagem determinou a proibição desses jovens no serviço – o de guardar vagas para os automóveis, na zona central da cidade, e fazer a respectiva cobrança. Eles têm entre 16 e 18 anos (incompletos) e representam 25% dos 222 jovens que operam na Zona Azul.
Ocorre que esses meninos ajudam a família com o que ganham, e são vinculados à Escola Profissional e Social do Menor de Londrina, uma entidade tradicional que há muitos anos cuida de retirar adolescentes da zona de perigo representada pela marginalidade e os coloca na Zona Azul, mediante regulamentação e disciplina e sem prejuízo dos seus estudos. Perigos existem para eles, sim, mas são os mesmos a que estão sujeitos os próprios menores infratores e os meninos de qualquer idade e comportamento que circulam pelas ruas da cidade. É, pois, sobre a eliminação dos perigos que deve se voltar a atenção das autoridades, que assim poderão também regenerar esses delinquentes, eis que eles são igualmente vítimas.
A promotora agora reafirma sua decisão, repisando no argumento de que esses menores fiscais estão expostos a gases tóxicos, a ficarem cinco horas em pé, a céu aberto, sem direito a descanso no período e sem sanitários, e ainda sujeitos a assalto, pois arrecadam e guardam dinheiro. Porém, estão expostos a idênticos perigos os meninos pedintes, em grande parte crianças. Agora, o que pode ocorrer, com a posição da promotora, é esses menores – em torno de 50 – ficarem sem trabalho, levando mais dificuldade para as respectivas famílias, ou voltarem à mesma rua para serem pedintes.
Nos tantos anos de existência da Zona Azul não houve incidentes graves a lamentar com a atividade desses menores, e eles estão satisfeitos com o que fazem. Ademais, muitos deles saíram literalmente das ruas, onde mendigavam, e agora continuam no mesmo lugar porém uniformizados e regulamentados num trabalho digno e remunerado. À guiza de proteger os menores a autoridade pode estar lhes sentenciando um castigo.

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