OPINIÃO DA FOLHA
Uma voz de expressão manifesta-se sobre os programas nocivos da televisão brasileira e propõe que as emissoras adotem o ombudsman, para estabelecer diálogo com os telespectadores e saber os que eles desejam e rejeitam. Essa voz é do ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, que levou a sugestão à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) e recebeu pronto acatamento.
Ombudsman é a denominação inglesa de ouvidor, um agente que atua entre leitores de jornais, telespectadores e ouvintes de rádio, e os respectivos veículos, para auscultar o gosto e as rejeições da população pelas diretrizes editoriais e pela programação desses orgãos de comunicação social.
O objetivo do ministro é reprimir a difusão da violência na televisão, em cujo universo de espectadores 50 milhões pertencem à faixa inferior aos 21 anos. São jovens que assistem a tevê em todos os horários e canais, sujeitos a ver cenas em que a morte, a destruição e o sexo foram transformados em coisas banais, e isso os induz a acreditar que esses são valores aceitos na luta pela sobrevivência.
A existência do ombudsman ainda não substitui uma lei rígida que deveria existir, para impor um freio à licenciosidade imperante, em todos os gêneros de noticiário e exibição, mas é um avanço e demonstra que há uma preocupação do Ministério da Justiça com essa delicada questão, e uma boa vontade já manifestada da ABERT.
Um código de conduta, que estabelecesse limites, é uma proposta que amedronta os defensores mais ortodoxos da liberdade de expressão e informação, por temerem uma volta ao cerceamento do direito da livre manifestação. Um zelo excessivo e descabido, ademais porque é do anseio da população inteira que haja um controle. Não pode ser nociva uma lei que reflita a vontade popular. Mas, como salienta o ministro, o ombudsman é o primeiro passo para que as emissoras passem a atuar com mais responsabilidade e em consonância com o que os telespectadores desejam.





