OPINIÃO DA FOLHA
O mercado financeiro está histérico, por conta da insegurança com os fundamentos da economia, e se esta que é a menina dos olhos do governo também não oferece garantia porque a taxa de risco Brasil aumentou então não se sabe o que é que vai bem na política governamental. Porque, sob o pretexto de conter a inflação, o governo impôs entraves ao crescimento do País, levou à queda da produção, ao consequente aumento do desemprego e à diminuição do consumo, expandindo os bolsões da miséria social e da violência.
Se o governo apregoa que os fundamentos econômicos estão mais sólidos, a taxa básica média dos juros aumentou, de um ano para cá, e com isso cresceram também os encargos do governo com sua dívida interna e sobrou menos dinheiro para aplicar em projetos de desenvolvimento do setor produtivo. Dessa forma, o preço da contenção da inflação passa a ser alto demais, pelos danosos efeitos econômicos que produz, porque a política governamental contemplou apenas uma das extremidades do processo, para fazer boa figura ante os investidores externos do capital volátil, mas voltou as costas para o incentivo ao crescimento interno.
Incrível que o temor dos monetaristas do governo seja o aquecimento da demanda, por isso a política vesga de manter alto o custo do dinheiro, pela via dos juros extorsivos. Natural que a facilitação do acesso ao crédito barato daria um impulso à produção, com estímulo ao emprego e consequentemente ao consumo da massa assalariada, que é a que sustenta a economia.
Se, individualmente, o trabalhador empregado viu melhorada a sua cesta básica e para alguma coisa a contenção da inflação teria de servir por outro assistiu ao aumento do desemprego. E para um desempregado, nada valem inflação baixa e cesta básica barata e estável, porque lhe é tirado o poder de compra, que o transforma num consumidor a menos e num excluído a mais, portanto uma carga social para a nação. O governo brinca demais com a sorte do povo ao fazer seus ensaios de economia, que já se provaram desastrosos.





