Começando pela melhoria do eleitor

Para modificar os políticos será necessário mudar o meio, porque é dali que eles emergem, e para que o meio mude é necessário educar politicamente os cidadãos. E educar não no sentido simplista de alfabetizá-lo, mas de ensinar-lhe cidadania, que é um estado de excelência em formação cívica, moral e humana e que lhe confira a qualidade de cidadão, ou, em palavras mais claras, em cidadão de qualidade. Inevitável então que, para mudar para melhor os políticos, há primeiro que qualificar a sociedade, que é a que forja os candidatos a cargos governamentais e que, afinal, ou elege ou rejeita.
Estudiosos das questões políticas declaram que o perfil do eleitor está mudando, tornando-o menos conservador e mais consciente, mas não há indicativos de que isso seja plenamente verdadeiro, porque o conservadorismo reelegeu o presidente da República, reelegeu – caso do Paraná – o governador do Estado, reelegeu também parlamentares (e alguns deles envolvidos em denúncias de corrupção); antigos governantes estão no topo das pesquisas eleitorais e é bastante provável que velhas raposas dos parlamentos sejam reconduzidas ao poder.
Uma sociedade, como a brasileira, já por natureza pouco politizada e que não consegue aglutinar-se ao redor de uma causa comum e lutar por ela, irá produzir políticos do mesmo teor, porque é no meio social que eles se plasmam e se fermentam. O fato de o eleitor derivar para candidatos mais à esquerda não significa que esteja mais consciente. Voto de protesto e indignação contra a situação imperante não é necessariamente conscientização – um atributo que vai se formando pelo comportamento individual do cidadão nos seus momentos diários, onde estão presentes a todo instante as oportunidades de manifestar cidadania, o que lhe exige igual postura de vigilância e honestidade.
Se a sociedade se comporta politicamente incorreta, não poderá esperar que desse meio despontem bons governantes. Nada de mais sábio, em política, do que esta velha verdade de que cada povo tem o governo que merece ter. Nem o eleitor paranaense e nem o eleitor brasileiro evoluiram. Cada qual continua agindo com vistas aos seus problemas individuais e sem nenhum espírito patriótico. Busca encontrar um emprego ou consolidar o que tem, alcançar sucesso em sua carreira, mas não pensa coletivamente. O ideal de eleger governantes melhores deve estar sempre em evidência, mas será necessário que o eleitor comece por melhorar-se como cidadão, que tudo o mais virá como natural resultante.

mockup