OPINIÃO DA FOLHA
O Festival Internacional de Londrina-Filo, que começou há 35 anos com a denominação de Festival Universitário, é hoje um dos maiores eventos das artes cênicas do Brasil e faz da cidade um pólo alternativo de cultura fora dos dois grandes centros, que são Rio de Janeiro e São Paulo. Londrina vive neste momento mais uma edição dessa bem sucedida promoção, que reúne como nos anos anteriores destacados grupos de teatro, dança, circo e música, de várias regiões brasileiras e do exterior. E, imediatamente após o Filo, acontece na cidade o Festival de Música, que já tem mais de vinte anos e o mesmo conceito do festival de teatro.á
As duas promoções que ocorrem no centro de uma região sustentada economicamente pela atividade agrícola e pecuária e pela prestação de serviços áconsolidam Londrina como centro de referência também em artes cênicas e artes musicais. Mal termina, na cidade, a exposição agropecuária e industrial, um dos maiores eventos do gênero no continente, mudam-se os cenários e entram no palco atores, dançarinos, malabaristas, compositores, instrumentistas e cantores.
O então Festival Universitário nascera sob a bandeira da militância política dos jovens contrários à ditadura, que buscavam manifestar o seu protesto através do teatro e da música. Foi em 1988 que o festival passou por uma redifinição de objetivos, na crista da realização, em Londrina, de um fórum para discutir o teatro latino-americano, reunindo críticos, diretores e intelectuais de grande prestígio nacional e internacional. Robusteceu-se então o festival, que passou a ser não apenas uma ribalta de apresentações artísticas, mas também um centro formador de atores e atrizes, e de análises críticas sobre os espetáculos apresentados.
No ano 2000, o Filo passou a ser um festival de todas as artes e a realizar também projetos de inclusão social. A aprovação do curso de Artes Cênicas, uma proposta apresentada pelos dirigentes do festival à Universidade de Londrina, seria o coroamento das comemorações dos 30 anos dessa promoção. Passada a fase pioneira de ousados amantes da arte, que lançaram o primeiro festival e foram lhe dando sustentação num período ditatorial que policiava todas as atividades culturais o hoje Festival Internacional de Londrina destaca-se como avançado ponto de referência em artes cênicas e patrimônio do teatro brasileiro.





